O calcitriol é a forma ativa da vitamina D. É usado para tratar a falta de cálcio e as alterações ósseas em pessoas com doença renal (incluindo em diálise) e em pessoas com hipoparatiroidismo. A dose é ajustada com análises regulares de cálcio.
Também conhecido como: Rocaltrol, calcitriol, 1,25-dihidroxicolecalciferol, alatrofisterol
Calcitriol + diurético de ansa: efeitos contrários sobre a calcemia.
O calcitriol (vitamina D ativa) aumenta a absorção intestinal de cálcio e tende a elevar a calcemia, enquanto a furosemida aumenta a excreção urinária de cálcio e tende a reduzi-la. Os efeitos são contrários e, na prática, a combinação é por vezes usada (por exemplo, na hipercalcemia com hipercalciúria), mas exige monitorização: a furosemida pode mascarar a hipercalcemia induzida pelo calcitriol ou, em doentes desidratados, precipitar hipocalcemia. Recomenda-se vigiar o cálcio sérico, o magnésio e a função renal, e ajustar as doses conforme os objetivos terapêuticos.
Calcitriol + diurético de ansa: efeitos contrários sobre a calcemia. Monitorizar cálcio e função renal.
A furosemida aumenta a excreção renal de cálcio, contrariando em parte o efeito do calcitriol.
Calcemia na terapêutica prolongada.
Cãibras, parestesias (hipocalcémia).
Monitorizar calcemia se associação prolongada, especialmente em insuficiência renal.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Calcitriol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=8465337c-86ca-ea9d-e053-2991aa0ab167 ; rótulo aprovado Furosemida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6d9caaab-d874-4cf1-b9fe-408452a18998 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Calcitriol + tiazida: risco de hipercalcémia (redução da excreção renal de cálcio).
As tiazidas diminuem a excreção renal de cálcio (a hidroclorotiazida aumenta a reabsorção tubular de cálcio) e o rótulo da hidroclorotiazida documenta hipercalcemia e hipofosfatemia em doentes em terapêutica tiazida prolongada, com alterações paratiroideias; o rótulo do calcitriol refere explicitamente que "as tiazidas induzem hipercalcemia pela redução da excreção urinária de cálcio" e que existem relatos de hipercalcemia quando as tiazidas são administradas concomitantemente com calcitriol, recomendando precaução. A associação soma, assim, os dois mecanismos hipercalcémicos. Monitorizar o cálcio sérico (e o produto cálcio x fósforo), especialmente no início ou ajuste de dose; vigiar sinais de hipercalcemia (fraqueza, cefaleia, náuseas, vómitos, obstipação, poliúria) e reduzir/suspender o calcitriol ou os suplementos de cálcio se necessário.
Calcitriol + hidroclorotiazida: as tiazidas reduzem a excreção renal de cálcio e podem potenciar a hipercalcemia do calcitriol. Monitorizar cálcio sérico.
As tiazidas reduzem a excreção urinária de cálcio, o que se adiciona ao efeito hipercalcémico do calcitriol.
Calcemia e função renal periodicamente.
Poliúria, obstipação, confusão, litíase renal.
Monitorizar calcemia, sobretudo nas primeiras semanas e em doentes com insuficiência renal.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Calcitriol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=8465337c-86ca-ea9d-e053-2991aa0ab167 ; rótulo aprovado Hidroclorotiazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0789baef-3424-43ab-a3fb-4908172da565 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Calcitriol + digoxina: a hipercalcémia potenciada pelo calcitriol aumenta o risco de toxicidade digitálica.
O calcitriol (vitamina D ativa) aumenta a absorção intestinal de cálcio e pode elevar a calcemia. A hipercalcemia potenciada pela digoxina aumenta o risco de arritmias, sobretudo em doentes com insuficiência renal ou em tratamento com suplementos de cálcio. A toxicidade digitálica pode surgir com níveis de digoxina que seriam seguros com calcemia normal. Recomenda-se monitorizar a calcemia durante o tratamento com calcitriol (sobretudo se houver suplementação de cálcio ou doença renal), vigiar sinais de toxicidade digitálica e ajustar conforme necessário.
O calcitriol eleva a calcemia e a hipercalcemia aumenta a toxicidade digitálica (arritmias). Monitorizar calcemia e sinais de toxicidade.
O calcitriol aumenta a absorção de cálcio; a hipercalcémia sensibiliza o miocárdio à digoxina.
Calcemia, função renal, eletrocardiograma.
Náuseas, arritmias, visão a cores alterada, confusão.
Monitorizar calcemia e sinais de toxicidade digitálica; ajustar dose de digoxina se necessário.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Calcitriol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=8465337c-86ca-ea9d-e053-2991aa0ab167 ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=e61d2108-d871-44c0-b12a-2e61fbb56967 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Calcitriol + colecalciferol: efeito vitamina D aditivo com risco de hipercalcémia.
O calcitriol (1,25-di-hidroxicolecalciferol) é a forma ativa da vitamina D; o colecalciferol (D3) é convertido no organismo em calcitriol. A toma concomitante soma os efeitos sobre a absorção intestinal de cálcio e pode causar hipercalcemia, hipercalciúria e, em casos prolongados, nefrocalcinose e insuficiência renal. Em doentes a receber ambas (ex.: doença renal crónica com D3 de manutenção e calcitriol ativo), monitorizar a calcemia, a calciúria e a função renal, e reduzir ou suspender uma das formas se a calcemia subir acima do limite.
Calcitriol + vitamina D3: efeito vitamina D aditivo com risco de hipercalcemia. Monitorizar a calcemia.
Ambos aumentam o cálcio sérico; a associação pode exceder o limiar terapêutico.
Cálcio sérico (Ca × P).
Hipercalcémia sintomática (náuseas, confusão, nefrolitíase).
Evitar a associação sem necessidade clínica; se usada, monitorizar cálcio.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Calcitriol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=cdcaffc6-e14e-4607-b77b-fc78a8382f60 ; rótulo aprovado Colecalciferol (vitamina D3): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3822c324-e22a-4ac4-ac1c-9b63983b516a — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Calcitriol + cálcio: hipercalcémia aditiva (risco aumentado de toxicidade por vitamina D).
O calcitriol aumenta a absorção intestinal do cálcio; a toma concomitante com suplementos de cálcio (carbonato) soma-se a este efeito e aumenta o risco de hipercalcemia, com anorexia, náuseas, obstipação, fraqueza, poliúria e, em casos graves, nefrocalcinose, arritmias e coma. Esta associação é frequente e intencional na doença renal crónica e no hipoparatiroidismo, mas exige monitorização da calcemia e da função renal, com ajuste da dose de cálcio e de calcitriol conforme os valores; vigiar também a interação com tiazidas, que reduzem a excreção renal de cálcio.
Cálcio + calcitriol: hipercalcemia aditiva. Monitorizar a calcemia e a função renal.
O calcitriol aumenta a absorção intestinal de cálcio; a associação com suplementos de cálcio eleva o cálcio sérico.
Cálcio sérico (Ca × P) e sintomas de hipercalcémia.
Náuseas, obstipação, fraqueza, nefrolitíase.
Monitorizar cálcio sérico e fósforo; ajustar a suplementação.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Calcitriol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=cdcaffc6-e14e-4607-b77b-fc78a8382f60 ; rótulo aprovado Carbonato de cálcio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=348d3dfa-6a52-4583-96e3-83c4bf2df45b — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Dieta rica em cálcio adiciona-se ao efeito do calcitriol sobre a calcemia.
Manter ingestão de cálcio equilibrada e vigiar calcemia na suplementação conjunta.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Calcitriol: https://www.medicines.org.uk/emc/product/101902/smpc
A hipercalciúria induzida pode favorecer a formação de cálculos.
Vigiar calcemia e calciúria; garantir hidratação adequada.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Calcitriol: https://www.medicines.org.uk/emc/product/101902/smpc
O calcitriol eleva a calcemia e agrava a hipercalcémia.
Contraindicado; suspender suplementos de cálcio e vigiar calcemia.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Calcitriol: https://www.medicines.org.uk/emc/product/101902/smpc
O calcitriol em doses suprafisiológicas pode ser teratogénico; em doses de reposição o risco é baixo, vigiando a calcemia.
Usar apenas se necessário, com monitorização da calcemia.
Compatível na amamentação em doses de reposição, com vigilância do lactente.
Em doses de reposição não é exigido recurso contracetivo; manter cautela com doses altas.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Calcitriol: https://www.medicines.org.uk/emc/product/101902/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Vitamina D ativa (1,25-di-hidroxicolecalciferol): aumenta a absorção intestinal de cálcio, a reabsorção renal de cálcio e fósforo e a mobilização óssea, elevando o cálcio sérico e suprimindo a secreção de paratormona (PTH). Reduz a fosfatase alcalina e as manifestações histológicas da osteíte fibrosa cística na doença renal.
O calcitriol atua ligando-se ao recetor da vitamina D (VDR), um recetor nuclear que regula a transcrição de genes envolvidos no transporte de cálcio (ex.: proteínas de ligação ao cálcio intestinais). Ao contrário da vitamina D nativa, o calcitriol não depende da hidroxilação renal (1-alfa) para se tornar ativo — daí a sua eficácia na doença renal.
O calcitriol oral é absorvido no intestino delgado. Em doentes pediátricos em diálise peritoneal (dose média 10,2 ng/kg), a Cmax média foi de 116 pmol/L; em doentes com síndrome nefrótica os picos séricos foram atingidos às 4 horas e em hemodiálise às 8–12 horas.
O calcitriol é eliminado por vias metabólicas e biliares; na insuficiência renal, a semivida de eliminação aumenta pelo menos 2 vezes em comparação com sujeitos saudáveis. Em doentes com síndrome nefrótica e em hemodiálise, os níveis séricos pré-dose e de pico são mais baixos.
A semivida sérica média do calcitriol foi de ~27,4 horas em doentes pediátricos em diálise peritoneal; em doentes em hemodiálise foi estimada em 16,2–21,9 horas e em doentes com síndrome nefrótica em ~21,9 horas (cerca do dobro da de sujeitos saudáveis).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.