A codeína é um analgésico opióide usado no tratamento da dor ligeira a moderada quando os analgésicos simples não são suficientes, geralmente em associação com paracetamol. É um pró-fármaco: o efeito depende da sua conversão em morfina, que varia com a genética de cada pessoa. Em crianças <12 anos está contraindicada pelo risco de depressão respiratória.
Também conhecido como: codeine phosphate
A codeína com alprazolam aumenta o risco de sedação, depressão respiratória e morte; em crianças a codeína é contraindicada.
A codeína é convertida em morfina pelo CYP2D6 e, com o alprazolam, os dois fármacos somam os seus efeitos depressores do sistema nervoso central e da respiração, com risco de sedação profunda, coma e morte — o mesmo aviso em caixa da FDA que se aplica a todos os opioides com benzodiazepinas. Nos metabolizadores ultrarrápidos do CYP2D6, a conversão em morfina é exagerada e o risco aumenta ainda mais; por isso a codeína é contraindicada em crianças e deve ser evitada durante a amamentação. A gestão é igual à dos restantes opioides: evitar a associação sempre que possível, e se inevitável, doses mínimas, duração curta e vigilância da sedação, frequência respiratória e saturação de oxigénio.
Benzodiazepina + opioide: depressão aditiva do SNC e da respiração. A codeína é um pró-fármaco da morfina (CYP2D6) e em crianças está contraindicada. Evitar; se inevitável, menores doses e vigilância apertada.
Efeito aditivo na depressão do SNC; a codeína é metabolizada a morfina pela CYP2D6 e a depressão central soma-se à benzodiazepina.
Ritmo respiratório, sedação, pupilas, sinais de toxicidade opioide.
Sedação profunda, bradipneia ou hipóxia exigem reversão urgente (naloxona).
Evitar a associação; se necessária, usar doses mínimas e vigiar o doente de perto.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Codeína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c966d73-77c6-4514-954e-57aa06a080c6 ; rótulo aprovado Alprazolam: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0cf8b567-201b-44fa-8fd3-c74023aff44f — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A codeína com sertralina aumenta o risco de síndrome serotoninérgica e pode alterar o efeito analgésico.
O uso concomitante de opioides com fármacos que afetam o sistema serotoninérgico, como os ISRS (sertralina), pode resultar em síndrome serotoninérgica; o rótulo da codeína identifica explicitamente os ISRS entre os fármacos serotonérgicos cuja associação com opioides resultou em síndrome serotoninérgica, e recomenda avaliar com frequência o doente, sobretudo no início do tratamento e em ajustes de dose, e suspender imediatamente se a síndrome for suspeitada. Informar o doente dos sintomas (agitação, alucinações, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, rigidez) e da necessidade de procurar ajuda médica.
Codeína + sertralina: risco de síndrome serotoninérgica (opioide + ISRS). Vigiar sintomas, sobretudo no início e em ajustes de dose.
A codeína e a sertralina aumentam a serotonina no SNC; além disso a sertralina (inibição da CYP2D6) pode reduzir a conversão da codeína em morfina.
Agitação, febre, tremores, hiperreflexia, rigidez muscular.
Febre alta com rigidez e alteração do estado mental exigem suspensão e tratamento urgente.
Vigiar sinais de serotoninergismo; se o efeito analgésico for insuficiente, considerar um analgésico alternativo.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Codeína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c966d73-77c6-4514-954e-57aa06a080c6 ; rótulo aprovado Sertralina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=91e24d17-ff0a-449c-9472-b9df74c98456 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool potencia os efeitos depressores do SNC e o risco de sobredosagem da codeína.
Recomendar a evicção do consumo de álcool durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Codeine Linctus (Codeína): https://www.medicines.org.uk/emc/product/4512/smpc
A codeína pode causar broncospasmo e exacerbar a asma.
Contraindicada em asma grave e em doentes com broncoespasmo induzido por opioides.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Codeine Linctus (Codeína): https://www.medicines.org.uk/emc/product/4512/smpc
A codeína não é recomendada em crianças (metabolism from genetics); risco de depressão respiratória grave.
Contraindicada em crianças < 12 anos e em populations de metabolizadores ultra-rápidos.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Codeine Linctus: https://www.medicines.org.uk/emc/product/4512/smpc
A codeína atravessa a placenta e pode causar privação e depressão respiratória no neonato.
Não recomendada; o uso no parto pode induzir depressão respiratória neonatal.
Contraindicada na lactação (risco de toxicidade em mães metabolizadoras ultra-rápidas).
Recomendar evitar em idade fértil; preferir analgésico alternativo.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Codeine Linctus (Codeína): https://www.medicines.org.uk/emc/product/4512/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Analgésico opióide (agonista mu relativamente seletivo, com afinidade muito mais fraca que a morfina) usado na dor ligeira a moderada em que é apropriado um opióide e as alternativas são inadequadas (habitualmente associado ao paracetamol). O efeito analgésico depende em parte da conversão em morfina (CYP2D6); atinge o pico em ~2 horas e persiste 4-6 horas. Risco de depressão respiratória, dependência, abuso e desvio.
Agonista opióide relativamente seletivo para o recetor mu, com afinidade muito mais fraca que a morfina; acredita-se que as propriedades analgésicas resultem da sua conversão em morfina. Produz depressão respiratória por ação direta nos centros respiratórios do tronco cerebral, miose, redução da motilidade gastrointestinal (obstipação), vasodilatação periférica e efeitos endócrinos (inibição de ACTH, cortisol e LH).
Rapidamente absorvida no trato gastrointestinal e rapidamente distribuída pelos tecidos, com captação preferencial nos órgãos parenquimatosos (fígado, baço, rim); atravessa a barreira hematoencefálica e encontra-se no tecido fetal e no leite materno. Ligação às proteínas plasmáticas de apenas 7-25%. Não se acumula nos tecidos. O efeito analgésico atinge o pico em ~2 horas e persiste 4-6 horas.
Cerca de 70-80% da dose é metabolizada: conjugação com ácido glucurónico em codeína-6-glucuronídeo (C6G; UGT2B7/2B4), O-desmetilação em morfina (~5-10%; CYP2D6) e N-desmetilação em norcodeína (~10%; CYP3A4). A morfina e a M6G têm atividade analgésica. A eliminação é essencialmente renal: ~90% da dose oral é excretada na urina em 24 horas (codeína livre e conjugada ~70%, norcodeína ~10%, morfina ~10%, normorfina 4%, hidrocodona 1%).
Semivida plasmática de cerca de 2,9 horas. Nos metabolizadores ultrarrápidos do CYP2D6 a conversão em morfina é mais rápida e completa, com níveis séricos de morfina superiores ao esperado e risco de depressão respiratória fatal mesmo em doses habituais; inibidores do CYP3A4 podem aumentar a conversão em morfina (via 2D6) e inibidores do CYP2D6 reduzi-la.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.