O dextrometorfano é um antitússico usado para aliviar temporariamente a tosse seca em constipações e irritações das vias respiratórias. Está disponível sem receita médica. Não deve ser usado em tosse com expetoração abundante nem por mais de 7 dias.
Também conhecido como: DXM, dextromethorphan, Romilar
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo OTC Dextrometorfano (Drug Facts): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14
Rótulo OTC DailyMed (Drug Facts): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14 — farmacocinética: PubMed PMID 7593709 (Influence of CYP2D6 phenotype and quinidine inhibition, 1995); PMID 8841152 (The influence of CYP2D6 polymorphism and quinidine, 1996)
A fluoxetina pode aumentar os níveis de dextrometorfano e o risco de síndrome serotoninérgico.
A fluoxetina é um "inibidor potente da via enzimática do CYP2D6" (rótulo da fluoxetina, secção 7.7) e o dextrometorfano é metabolizado primariamente pelo CYP2D6 (o seu metabolito principal, dextrorfano, é ativo). A inibição do CYP2D6 pela fluoxetina pode aumentar significativamente as concentrações de dextrometorfano, e ambos os fármacos têm atividade serotoninérgica — o dextrometorfano é um inibidor fraco da recaptação de serotonina e a fluoxetina é um ISRS potente. O risco de síndrome serotoninérgica (agitação, confusão, febre, tremor, clónus, hiperreflexia) soma-se ao risco de níveis elevados de dextrometorfano (sedação, tonturas, náuseas, ataxia). A associação é frequente em medicamentos para a tosse de venda livre em doentes a tomar fluoxetina. Evitar o dextrometorfano em doentes a tomar fluoxetina; se inevitável, usar a menor dose e a menor duração possíveis, e informar o doente para vigiar sintomas serotoninérgicos (agitação, espasmos, febre) e neurológicos (tonturas, ataxia). Considerar antitússicos alternativos não serotoninérgicos.
Fluoxetina + dextrometorfano: a fluoxetina inibe o CYP2D6 (eleva os níveis de dextrometorfano) e ambos são serotoninérgicos — risco de síndrome serotoninérgica.
A fluoxetina inibe o CYP2D6, principal via de metabolização do dextrometorfano, e ambos são serotoninérgicos.
Vigiar agitação, tremor, hipertermia, mioclonias e alterações do estado mental.
Síndrome serotoninérgico (hipertermia, rigidez, confusão).
Evitar a associação; se inevitável, usar a menor dose de dextrometorfano e vigiar.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dextrometorfano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14 ; rótulo aprovado Fluoxetina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09fb3100-1e06-4cdc-8016-7e4f5d097490 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de dextrometorfano com tramadol aumenta o risco de síndrome serotoninérgico e convulsões.
O dextrometorfano e o tramadol têm ambos ação serotoninérgica (inibição da recaptação de serotonina), e a associação soma o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal, com sintomas como agitação, alucinações, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias e rigidez. O rótulo do tramadol alerta para a síndrome serotoninérgica com o uso concomitante de fármacos serotonérgicos, e a associação de antitússico com opioide deve ser evitada sempre que possível. Se inevitável, usar as menores doses, vigiar sintomas de serotonina e considerar alternativas (ex.: antitússico não serotonérgico).
Dextrometorfano + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica (dois serotonérgicos). Evitar ou vigiar de perto.
Ambos os fármacos aumentam a serotonina; o tramadol também reduz o limiar convulsivo.
Vigiar sintomas serotoninérgicos e neurológicos.
Síndrome serotoninérgico, convulsões.
Evitar a associação; se inevitável, vigiar de perto e usar a menor dose eficaz.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dextrometorfano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14 ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A sertralina pode potenciar os efeitos serotoninérgicos do dextrometorfano.
O dextrometorfano tem ação serotoninérgica (inibição da recaptação de serotonina) e é também substrato do CYP2D6, enzima que a sertralina inibe; a associação com ISRS como a sertralina aumenta o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal, com sintomas como agitação, alucinações, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias e rigidez. O rótulo da sertralina lista os fármacos serotonérgicos cujo uso concomitante aumenta o risco de síndrome serotoninérgica, e o rótulo do dextrometorfano alerta para a interação com inibidores da MAO. Em doentes a tomar ISRS, preferir antitússicos alternativos ou usar com precaução, vigiando sintomas de serotonina.
Dextrometorfano + sertralina: risco de síndrome serotoninérgica (antitússico serotonérgico + ISRS). Evitar ou vigiar de perto.
Efeito serotoninérgico aditivo; inibição parcial do CYP2D6 pela sertralina.
Vigiar agitação, diarreia, tremor, hiperreflexia e confusão.
Síndrome serotoninérgico.
Vigiar sintomas de excesso serotoninérgico na associação.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dextrometorfano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14 ; rótulo aprovado Sertralina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=91e24d17-ff0a-449c-9472-b9df74c98456 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool potencia a depressão do sistema nervoso central associada ao dextrometorfano.
Evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Dextrometorfano: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1523/smpc
O dextrometorfano é um antitússico central; em doença respiratória grave com hipersecreção, a supressão da tosse pode agravar a retenção de secreções.
Usar com precaução em doença respiratória grave e avaliar a necessidade real do antitússico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Dextrometorfano (Drug Facts): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14
O dextrometorfano pode reduzir o limiar convulsivo em doses elevadas ou em doentes suscetíveis.
Usar com precaução em doentes com epilepsia e evitar doses elevadas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Dextrometorfano (Drug Facts): https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14
Os dados sobre dextrometorfano na gravidez são limitados; usar apenas se necessário.
Evitar no 1.º trimestre; usar a menor dose e duração possíveis.
Excretado no leite em pequenas quantidades; uso pontual provavelmente compatível.
Sem contraceção adicional específica.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Dextrometorfano: https://www.medicines.org.uk/emc/product/1523/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antitússico de ação central: eleva o limiar da tosse no centro da tosse do tronco cerebral (núcleo do trato solitário), suprimindo a tosse seca sem efeito analgésico ou sedativo significativo nas doses terapêuticas. Derivado do levorfanol, sem afinidade relevante para os recetores opioides nas doses habituais.
O dextrometorfano atua sobre o centro da tosse no tronco cerebral; é também antagonista dos recetores NMDA em doses altas (propriedades dissociativas que explicam o potencial de abuso). O seu metabolito ativo dextrorfano contribui para o efeito antitússico.
O dextrometorfano é bem absorvido por via oral, com picos plasmáticos 1–2 horas após a dose; sofre metabolismo de primeira passagem hepática. A biodisponibilidade oral é variável (~11–70%) dependendo do fenótipo do CYP2D6; os comprimidos de libertação prolongada têm picos mais tardios.
O dextrometorfano é metabolizado principalmente pelo CYP2D6 em dextrorfano (O-desmetilação), o metabolito ativo, com vias menores pelo CYP3A4/5 (N-desmetilação). O polimorfismo do CYP2D6 influencia fortemente a exposição: nos metabolizadores lentos, a semivida e os níveis aumentam muito; a quinidina e os ISRS inibem o CYP2D6.
A semivida de eliminação é de ~2–4 horas nos metabolizadores extensos, de ~5,6 horas quando o CYP2D6 é inibido (ex.: quinidina) e de ~19 horas nos metabolizadores lentos (CYP2D6).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.