A espironolactona é um diurético "poupador de potássio" usado para tratar a retenção de líquidos e a insuficiência cardíaca, e também para controlar a tensão arterial. Como o nome sugere, ajuda o corpo a não perder potássio, pelo que o seu nível de potássio deve ser vigiado com análises.
Também conhecido como: Aldactone
Hipercalemia grave. A associação de um IECA (Enalapril) com um diurético poupador de potássio (Espironolactona) aumenta significativamente o risco de hipercalemia, sobretudo em doentes com compromisso renal, diabetes ou suplementos de potássio.
O enalapril reduz a produção de aldosterona e a espironolactona bloqueia o recetor da aldosterona no túbulo distal: o efeito combinado é a redução marcada da excreção de potássio. A hipercaliemia é mais frequente em doentes com insuficiência renal, diabetes, idade avançada ou a tomar suplementos de potássio, e pode manifestar-se por fraqueza muscular, parestesias e arritmias. A associação é válida e frequente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, onde o benefício está comprovado — o que se exige é vigilância: potássio e creatinina cerca de 1 semana após iniciar ou ajustar a dose e reavaliação se houver piora renal.
IECA + antagonista da aldosterona: efeito aditivo na retenção de potássio, com risco de hipercaliemia, sobretudo com TFG reduzida, diabetes ou idade avançada. Monitorizar potássio e creatinina cerca de 1 semana após iniciar ou ajustar.
O Enalapril reduz a aldosterona (menor excreção de K+), efeito potenciado pela Espironolactona, que bloqueia diretamente o recetor da aldosterona — o K+ sérico sobe por duas vias.
K+ sérico e creatinina na 1.ª semana, depois a cada 4–6 semanas nos primeiros 3 meses.
Fraqueza muscular, parestesias, arritmias, ondas T altas no ECG.
Monitorizar K+ sérico uma semana após o início. Considerar reduzir a dose ou alternativas terapêuticas. Informar o doente sobre os sintomas de hipercalemia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Enalapril: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b31372f7-cda3-4ead-a481-4cde62e843fd ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=73564b3d-8ede-4008-b75c-1277153b5bb6
ARA II com poupador de potássio aumenta o risco de hipercaliemia.
Tanto a valsartana (ARA II) como a espironolactona (antagonista da aldosterona) reduzem a excreção renal de potássio por vias complementares — a valsartana diminui a aldosterona ao bloquear o recetor AT1, e a espironolactona bloqueia o recetor mineralocorticoide na sua extremidade efetora. O rótulo da espironolactona classifica os "ARA" entre os "agentes que aumentam o potássio sérico" e recomenda "verificar os níveis séricos de potássio quando a terapêutica com IECA ou ARA for alterada em doentes a receber espironolactona"; o da valsartana adverte que "diuréticos poupadores de potássio, suplementos de potássio ou substitutos do sal podem levar a aumentos do potássio sérico". A associação é usada na IC (RALES demonstrou benefício), mas requer monitorização rigorosa. Contraindicada se K+ > 5,0 mEq/L ou clearance de creatinina < 30 mL/min; suspender suplementos de potássio; monitorizar K+ e creatinina aos 3–7 dias e 1 mês, depois trimestralmente.
Valsartana + espironolactona: hipercaliemia aditiva (ARA II + diurético poupador de K). Monitorizar potássio e função renal; evitar em IRC ou K+ > 5,0.
Ambos poupam potássio; o risco aumenta com função renal diminuída.
Potássio, ritmo cardíaco.
Hipercaliemia ou arritmia.
Monitorizar potássio; evitar na insuficiência renal avançada.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Valsartana: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1a8af3d9-4053-4233-82a7-e8c7bc9e302f ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57d1c333-c229-54aa-e063-6394a90a84ce — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Risco acrescido de hipercalemia. Tanto o Losartano (ARA II) como a Espironolactona elevam o K+ sérico; a associação exige vigilância.
O losartano (ARA II) reduz a produção de aldosterona e a espironolactona bloqueia o seu recetor — o efeito sobre o potássio é aditivo. O rótulo da espironolactona inclui os "angiotensin receptor blockers" na lista de "Agents Increasing Serum Potassium" (secção 7.1) e recomenda monitorizar o potássio quando a terapêutica com IECA/ARA é alterada; o do losartano documenta que "diuréticos poupadores de potássio, suplementos de potássio ou substitutos do sal podem levar a aumentos do potássio sérico" e adverte para o risco de hipercaliemia em doentes com insuficiência renal ou diabetes. A monitorização é essencial: potássio e creatinina antes do início, 1 semana após, 1 mês após e depois trimestralmente; não usar se K+ > 5,0 ou clearance de creatinina < 30 mL/min; suspender suplementos de potássio e reduzir a dose de espironolactona se K+ subir acima de 5,5.
Espironolactona + losartano: ambos poupam potássio por vias complementares. Monitorizar K+ e creatinina; evitar em IRC ou K+ elevado.
O ARA II bloqueia o recetor da angiotensina II (reduz aldosterona) e a Espironolactona bloqueia o recetor da aldosterona — retenção de K+ por duas vias.
K+ sérico e função renal na 1.ª semana e mensalmente.
Fraqueza, palpitações, ritmo irregular — possíveis sinais de hipercalemia.
Iniciar com doses baixas e monitorizar K+ e creatinina ao fim de 1 semana.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Losartano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=df4f55f0-fb11-4f6f-a7ed-127b50f955fc ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=73564b3d-8ede-4008-b75c-1277153b5bb6
Associação de diurético de ansa com poupador de potássio: risco de desequilíbrio eletrolítico.
A espironolactona (diurético poupador de potássio) e a bumetanida (diurético da ansa, que excreta potássio) são frequentemente usados em conjunto na insuficiência cardíaca para equilibrar o potássio — a bumetanida remove K+ e a espironolactona retém-no. O rótulo da espironolactona refere que "a administração concomitante pode levar a hipercaliemia" e classifica os diuréticos depletores de potássio como interação a monitorizar; o da bumetanida não foi analisado individualmente, mas o efeito líquido depende da função renal e das doses relativas. Em doentes com clearance de creatinina > 50 mL/min, o balanço é geralmente favorável; na IRC (clearance < 30 mL/min), o risco de hipercaliemia aumenta. Monitorizar potássio e creatinina antes do início e 1 semana após; ajustar as doses conforme o potássio (se K+ < 3,5 aumentar espironolactona ou reduzir bumetanida; se K+ > 5,0 reduzir espironolactona ou aumentar bumetanida).
Espironolactona + bumetanida: associação usada para regular o potássio na IC (loop perde K, espironolactona poupa). O balanço depende da função renal; monitorizar K+.
Usados juntos para regular o potássio, o balanço depende da função renal.
Potássio, creatinina, diurese.
Cãibras, arritmias ou hipotensão.
Monitorizar eletrólitos; evitar na insuficiência renal avançada.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Bumetanida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4a9229c8-89ba-423e-8e36-f56bc329ed38 ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57d1c333-c229-54aa-e063-6394a90a84ce — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Espironolactona + potássio: risco de hipercaliemia grave.
A espironolactona é um diurético poupador de potássio que antagoniza a aldosterona no túbulo contornado distal, reduzindo a excreção renal de potássio. A administração concomitante de suplementos de potássio (cloreto de potássio) aumenta de forma aditiva o risco de hipercaliemia, que pode ser grave e potencialmente fatal (arritmias ventriculares, paragem cardíaca). O risco é ainda maior em doentes com insuficiência renal, diabetes ou idade avançada, e com outros fármacos que elevam o potássio (IECA, ARA II, outros poupadores de potássio). Em geral a associação deve ser evitada; se for clinicamente inevitável (ex.: hipocaliemia grave em doente já medicado), usar a menor dose de potássio, monitorizar a potassemia com frequência e vigiar o ECG, alertando o doente para sintomas como fraqueza muscular, palpitações ou parestesias.
Espironolactona + potássio: risco de hipercaliemia grave, potencialmente fatal. Evitar a associação; se inevitável, monitorizar a potassemia e o ECG.
A espironolactona (diurético poupador de potássio) reduz a excreção renal de K+; a suplementação aditiva pode causar hipercaliemia potencialmente fatal.
Potássio sérico, eletrocardiograma, função renal.
Fraqueza, arritmias, ondas T apiculadas, paragem cardíaca.
Evitar a associação; se inevitável, monitorizar o potássio frequentemente e suspender o suplemento.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ac487ae2-e15f-4781-bae3-a03058cfcfe4 ; rótulo aprovado Cloreto de potássio: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=eb56a807-ea94-4edb-9811-a04b19568468 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Sem interação clinicamente relevante. A associação é por vezes usada de forma intencional pelo efeito diurético sinérgico com menor hipocaliemia.
A espironolactona (diurético poupador de potássio) e a hidroclorotiazida (tiazida) têm mecanismos complementares no túbulo renal: a tiazida aumenta a excreção de sódio e potássio, enquanto a espironolactona antagoniza a aldosterona e retém potássio. A associação é por vezes utilizada de forma intencional para potenciar a diurese e a natriurese com menor risco de hipocaliemia do que a tiazida isolada. Não há interação adversa clinicamente relevante, mas o equilíbrio eletrolítico deve ser monitorizado: o risco principal é a hipercaliemia em doentes com insuficiência renal ou com suplementos de potássio, e a hiponatremia em idosos.
Sem interação clinicamente relevante. Associação por vezes usada de forma intencional pelo efeito diurético sinérgico com menor hipocaliemia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=73564b3d-8ede-4008-b75c-1277153b5bb6 ; rótulo aprovado Hidroclorotiazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0789baef-3424-43ab-a3fb-4908172da565
IECA com poupador de potássio aumenta o risco de hipercaliemia.
A associação de um IECA (ramipril) com um diurético poupador de potássio (espironolactona) reduz a excreção de potássio por duas vias: o ramipril diminui a produção de aldosterona e a espironolactona bloqueia o recetor da aldosterona no túbulo distal. O resultado é a retenção de potássio, clinicamente relevante sobretudo em doentes com função renal diminuída, diabetes ou idade avançada. Esta combinação é frequente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, onde o benefício está comprovado — o que se exige é vigilância: potássio e creatinina cerca de 1 semana após iniciar ou ajustar, e reavaliação se houver piora renal. A hipercaliemia grave manifesta-se por fraqueza muscular, parestesias e arritmias e exige correção imediata.
IECA + antagonista da aldosterona: efeito aditivo na retenção de potássio, com risco de hipercaliemia, sobretudo com TFG reduzida, diabetes ou idade avançada. Monitorizar potássio e creatinina.
O ramipril reduz a aldosterona e a espironolactona retém potássio; o efeito é aditivo.
Potássio, creatinina.
Hipercaliemia (fraqueza, arritmia).
Monitorizar potássio e função renal; evitar na insuficiência renal.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ramipril: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3806abdc-6aec-4252-bd79-e2c115b849aa ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57d1c333-c229-54aa-e063-6394a90a84ce — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A espironolactona retém potássio; a ingestão elevada de potássio na dieta ou substitutos de sal aumentam o risco de hipercaliemia.
Evitar substitutos de sal com potássio e consumo excessivo de alimentos ricos em potássio.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Espironolactona: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2898/smpc
A espironolactona está contraindicada em doentes com hipercaliemia e em insuficiência renal grave, pelo risco de hipercaliemia potencialmente fatal.
Não usar em doentes com potássio elevado ou função renal gravemente diminuída; monitorizar potássio e creatinina.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Espironolactona: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2898/smpc
A espironolactona atravessa a placenta; em estudos animais houve efeitos antiandrogénicos no feto masculino, pelo que se recomenda prudência.
Utilizar apenas se o benefício superar o risco; evitar no 1.º trimestre sempre que possível.
O canrenona (metabolito ativo) é excretado no leite materno; a utilização durante o aleitamento deve ser evitada.
Em idade fértil, confirmar a ausência de gravidez antes de iniciar tratamento prolongado.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Espironolactona: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2898/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Diurético poupador de potássio e anti-hipertensor, ativo por antagonismo da aldosterona. É eficaz nos estados edematosos com hiperaldosteronismo secundário (insuficiência cardíaca congestiva, cirrose hepática, síndrome nefrótica) e no hiperaldosteronismo primário. Pode ser usado isolado ou com diuréticos que atuam mais proximalmente no túbulo renal.
Antagonista específico da aldosterona: liga-se de forma competitiva aos recetores do trocador sódio-potássio dependente da aldosterona no túbulo contornado distal, aumentando a excreção de sódio e água e retendo potássio.
O pico plasmático da espironolactona ocorre em média às 2,6 horas e o da canrenona às 4,3 horas. Os alimentos aumentam a biodisponibilidade em cerca de 95%, pelo que se recomenda uma rotina consistente em relação às refeições. A ligação às proteínas plasmáticas é superior a 90%.
É rápida e extensamente metabolizado. Os metabolitos ativos incluem a canrenona (sem o enxofre da molécula original) e os compostos com enxofre TMS e HTMS, com potências relativas de cerca de um terço da espironolactona. Os metabolitos são excretados principalmente na urina e secundariamente na bílis.
A meia-vida da espironolactona é de cerca de 1,4 horas; a dos metabolitos canrenona, TMS e HTMS é de aproximadamente 16,5, 13,8 e 15 horas, respetivamente. A meia-vida terminal pode estar aumentada na ascite cirrótica.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.