A metformina é o medicamento de primeira linha para a diabetes tipo 2. Ajuda a baixar o açúcar no sangue, muitas vezes em conjunto com dieta e exercício. É geralmente bem tolerada; os efeitos mais comuns são gastrointestinais no início do tratamento.
Também conhecido como: Glucophage
Efeito hipoglicemiante aditivo — risco acrescido de hipoglicemia em doentes diabéticos.
A hidroxicloroquina pode causar hipoglicemia grave e potencialmente fatal, "na presença ou ausência de antidiabéticos" (o rótulo refere explicitamente que "pode potenciar os efeitos da insulina e dos antidiabéticos e, consequentemente, aumentar o risco de hipoglicemia — pode ser necessário reduzir a dose de insulina e de outros antidiabéticos", e recomenda monitorizar a glicemia nos doentes diabéticos). A associação com metformina soma os efeitos hipoglicemiantes. Nota: o rótulo da hidroxicloroquina indica que esta não inibe o OCT2 in vitro, pelo que o mecanismo é essencialmente farmacodinâmico. Monitorizar a glicemia no início da associação e sempre que a dose de hidroxicloroquina mudar, avisar o doente para os sinais de hipoglicemia (sudorese, tremor, palpitações, confusão) e considerar reduzir a dose de metformina ou de outros antidiabéticos.
Hidroxicloroquina + metformina: hipoglicemia aditiva. Monitorizar glicemia e considerar reduzir a dose do antidiabético.
A Hidroxicloroquina melhora a sensibilidade à insulina, potenciando o efeito da Metformina.
Glicemia capilar, HbA1c e sintomas de hipoglicemia.
Sudorese, tremor, confusão, desmaios.
Monitorizar a glicemia e ajustar a dose do antidiabético se necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd
Hipoglicemia. A associação de dois antidiabéticos orais exige ajuste e vigilância; não é contraindicada.
A glibenclamida (sulfonilureia) estimula a secreção de insulina e a metformina reduz a produção hepática de glicose e melhora a sensibilidade à insulina — mecanismos complementares e sinérgicos, sendo a associação uma opção habitual na diabetes tipo 2. O principal risco é a hipoglicemia, potenciada pela sulfonilureia, sobretudo em idosos, jejum prolongado, insuficiência renal ou redução da ingestão alimentar. Recomenda-se iniciar com doses baixas, titular lentamente, educar o doente para os sinais de hipoglicemia e ajustar a glibenclamida perante qualquer deterioração da função renal.
Hipoglicemia. A associação de dois antidiabéticos orais exige ajuste e vigilância; não é contraindicada.
Efeito hipoglicemiante aditivo: a sulfonilureia estimula a insulina e a metformina reduz a produção hepática de glicose.
Glicemia capilar e sinais de hipoglicemia.
Tremor, sudação, confusão, palidez — sinais de hipoglicemia.
Iniciar a sulfonilureia em dose baixa e ajustar conforme as glicemias.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Glibenclamida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=524eec41-37ee-419a-b7a1-d23e888ae6ab ; rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd
Os corticosteroides (como a prednisolona) podem aumentar o açúcar no sangue e reduzir o efeito da metformina. Vigie a glicemia durante o tratamento.
Os corticosteroides sistémicos aumentam a resistência à insulina e a produção hepática de glucose, antagonizando o efeito dos antidiabéticos — o Prontuário refere expressamente que os antidiabéticos antagonizam os efeitos hiperglicemiantes dos corticosteroides e que nos diabéticos estes só devem ser usados em caso de absoluta necessidade. Em corticoterapia prolongada ou em doses elevadas, a glicemia deve ser monitorizada e a terapêutica antidiabética ajustada (frequentemente é necessário aumentar a dose da metformina ou associar insulina).
Os glucocorticoides têm efeito hiperglicemiante e antagonizam os antidiabéticos; pode ser necessário ajustar a dose da metformina (ou acrescentar insulina) durante corticoterapia, com monitorização da glicemia.
Efeito hiperglicemiante dos glucocorticoides (aumento da resistência à insulina e da gluconeogénese).
Glicemia capilar; sintomas de hiperglicemia.
Sede, poliúria, fadiga, visão turva — hiperglicemia descompensada.
Monitorizar a glicemia (e HbA1c em uso prolongado) durante a corticoterapia; ajustar a dose da metformina conforme necessário e reduzir quando o corticoide for suspenso.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — secção 8.2.2 ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Prednisolona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=757b41c4-a0fe-4a09-8816-a4cdb7558f41 ; rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd
Aumento do risco de acidose láctica: o trimetoprim do Cotrimoxazol reduz a excreção renal da Metformina, elevando as suas concentrações.
A metformina é eliminada por via renal através do transportador de catiões orgânicos OCT2, e o trimetoprim (componente do cotrimoxazol) é um inibidor do OCT2, podendo aumentar as concentrações de metformina e o risco de acidose láctica, sobretudo em doentes com função renal diminuída, idosos ou com outras causas de acidose; o rótulo do cotrimoxazol recomenda evitar a coadministração com substratos do OCT2 (a metformina é explicitamente mencionada) e monitorizar a glicemia. Durante a associação, vigiar a função renal, sinais de acidose láctica (mal-estar, mialgias, dor abdominal, dispneia, sonolência) e considerar a suspensão temporária da metformina em doentes de risco.
Cotrimoxazol + metformina: o trimetoprim inibe o OCT2 e aumenta os níveis de metformina, com risco de acidose láctica. Vigiar função renal e glicemia.
O trimetoprim compete com a Metformina pela secreção tubular renal (transportador OCT2), diminuindo a sua eliminação.
Função renal antes e durante; sinais de acidose (respiração profunda, sonolência, hipotensão).
Fraqueza, mialgia, dor abdominal, hiperventilação, sonolência — suspender e procurar ajuda médica.
Vigiar sinais de acidose láctica em doentes com função renal reduzida; considerar doses baixas de Metformina durante a antibioterapia.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd ; rótulo aprovado Cotrimoxazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=08500fcb-dbec-4ac2-91c3-189d27907ec0
A intoxicação alcoólica aguda aumenta o risco de acidose láctica, especialmente em jejum, desnutrição ou insuficiência hepática; o alcoolismo é contraindicação.
Evitar o consumo excessivo de álcool e qualquer estado de intoxicação alcoólica aguda durante o tratamento com metformina.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
A metformina está contraindicada quando a TFG < 30 mL/min; a acumulação do fármaco aumenta o risco de acidose láctica.
Não prescrever com TFG < 30 mL/min; ajustar a dose entre 30 e 89 mL/min e suspender temporariamente em situações agudas que alterem a função renal.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
A acidose metabólica aguda (láctica, cetoacidose diabética) e o pré-coma diabético são contraindicações absolutas.
Não utilizar em doentes com acidose; se houver suspeita de acidose láctica, suspender e procurar avaliação médica urgente.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
A insuficiência hepática reduz a depuração do lactato e predispõe à acidose láctica.
Evitar a metformina em doentes com insuficiência hepática ou alcoolismo.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
A insuficiência cardíaca descompensada, a insuficiência respiratória, o enfarte do miocárdio recente e o choque aumentam o risco de acidose láctica.
Não iniciar durante estados hipóxicos agudos; suspender durante esses episódios e reavaliar após estabilização.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
Em doentes com MELAS ou MIDD, a metformina não é recomendada pelo risco de exacerbação da acidose láctica e de complicações neurológicas.
Evitar a metformina nestes doentes; suspender e avaliar de imediato se surgirem sinais sugestivos.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
O contraste iodado pode causar nefropatia induzida por contraste, com acumulação da metformina e risco de acidose láctica.
Suspender a metformina no momento do exame e retomar apenas 48 horas depois, se a função renal se mantiver estável.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
Dados extensos (mais de 1000 gravidezes) não indicam aumento do risco de malformações congénitas nem de toxicidade fetal-neonatal com a metformina.
O uso pode ser considerado na gravidez e na fase periconcecional como alternativa ou adição à insulina, se clinicamente necessário.
A metformina é excretada no leite; sem efeitos adversos observados, mas com dados limitados — a amamentação não é recomendada durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Metformina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/987/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Anti-hiperglicemiante da classe das biguanidas que melhora a tolerância à glicose na diabetes tipo 2, reduzindo a glicemia basal e pós-prandial. Não estimula a secreção de insulina, pelo que não causa hipoglicemia quando usada isolada; a secreção de insulina permanece inalterada, podendo diminuir a insulinemia de jejum.
Diminui a produção hepática de glicose, diminui a absorção intestinal de glicose e melhora a sensibilidade à insulina, aumentando a captação e utilização periférica de glicose.
Nos comprimidos de libertação prolongada, o pico plasmático é atingido em mediana às 7 horas (4 a 8 horas); nos comprimidos de libertação imediata, em 2 a 3 horas. Os alimentos diminuem a extensão e atrasam a absorção (Cmax cerca de 40% menor). A ligação às proteínas plasmáticas é desprezável.
A metformina é excretada inalterada na urina e não sofre metabolismo hepático (não foram identificados metabolitos no homem) nem excreção biliar. A depuração renal é cerca de 3,5 vezes superior à depuração da creatinina, indicando que a secreção tubular é a via principal de eliminação; cerca de 90% do fármaco absorvido é eliminado por via renal nas primeiras 24 horas.
A semivida de eliminação plasmática é de aproximadamente 6,2 horas; no sangue, a semivida é de aproximadamente 17,6 horas, sugerindo que a massa eritrocitária é um compartimento de distribuição.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.