O ramipril é um medicamento para a tensão arterial alta e para a insuficiência cardíaca. Pertence à classe dos inibidores da enzima de conversão (IECA) e ajuda o coração e os vasos sanguíneos a trabalharem com menos esforço. Pode provocar tosse seca e, raramente, inchaço da face (angioedema).
Também conhecido como: Tritace
Duplo bloqueio do eixo renina-angiotensina (IECA+ARA) com risco de hipotensão e lesão renal.
A associação de um ARA II (valsartana) com um IECA (ramipril) bloqueia o RAAS em duas etapas, somando o risco de hipercaliemia, hipotensão e deterioração da função renal. O rótulo da valsartana refere que a "Dual inhibition of the RAS" aumenta o "risco de compromisso renal, hipotensão e hipercaliemia"; o do ramipril documenta "Dual Blockade of the Renin-Angiotensin System" entre as advertências e "Agents Increasing Serum Potassium" nas interações, e o risco é maior em doentes com insuficiência renal, diabetes ou depleção de volume. O ensaio ONTARGET com telmisartana+ramipril mostrou mais eventos renais adversos sem benefício de mortalidade. Evitar na maioria dos doentes; se absolutamente necessário (IC refratária), monitorizar TA, creatinina e potássio 1–2 semanas após o início ou ajuste de dose e reduzir as doses de ambos.
Valsartana + ramipril: bloqueio duplo do RAAS — maior risco de hipotensão, hipercaliemia e lesão renal. Evitar; monitorizar TA, K+ e creatinina se inevitável.
O bloqueio reforçado reduz a pressão intraglomerular; pode agravar a função renal e a hipercaliemia.
Creatinina, diurese, potássio.
Hipotensão ou piora renal.
Evitar a associação sem benefício comprovado; monitorizar a função renal.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ramipril: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3806abdc-6aec-4252-bd79-e2c115b849aa ; rótulo aprovado Valsartana: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1a8af3d9-4053-4233-82a7-e8c7bc9e302f — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
IECA com poupador de potássio aumenta o risco de hipercaliemia.
A associação de um IECA (ramipril) com um diurético poupador de potássio (espironolactona) reduz a excreção de potássio por duas vias: o ramipril diminui a produção de aldosterona e a espironolactona bloqueia o recetor da aldosterona no túbulo distal. O resultado é a retenção de potássio, clinicamente relevante sobretudo em doentes com função renal diminuída, diabetes ou idade avançada. Esta combinação é frequente na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, onde o benefício está comprovado — o que se exige é vigilância: potássio e creatinina cerca de 1 semana após iniciar ou ajustar, e reavaliação se houver piora renal. A hipercaliemia grave manifesta-se por fraqueza muscular, parestesias e arritmias e exige correção imediata.
IECA + antagonista da aldosterona: efeito aditivo na retenção de potássio, com risco de hipercaliemia, sobretudo com TFG reduzida, diabetes ou idade avançada. Monitorizar potássio e creatinina.
O ramipril reduz a aldosterona e a espironolactona retém potássio; o efeito é aditivo.
Potássio, creatinina.
Hipercaliemia (fraqueza, arritmia).
Monitorizar potássio e função renal; evitar na insuficiência renal.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ramipril: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3806abdc-6aec-4252-bd79-e2c115b849aa ; rótulo aprovado Espironolactona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=57d1c333-c229-54aa-e063-6394a90a84ce — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A primeira dose de IECA em doente com diurético ativo pode causar hipotensão.
O ramipril (IECA) pode causar hipotensão sintomática, sobretudo após a primeira dose, e o risco é maior em doentes com depleção de volume e/ou sódio por terapia diurética prolongada (como a furosemida); o rótulo do ramipril recomenda corrigir a depleção de volume/sódio antes de iniciar o IECA. A associação também pode aumentar a creatinina sérica (sobretudo em doentes com insuficiência renal prévia ou estenose das artérias renais), podendo exigir redução da dose do IECA e/ou do diurético. Iniciar o ramipril com a dose mais baixa, de preferência à noite ou com o doente deitado, monitorizar a pressão arterial nas primeiras horas após a primeira dose, e vigiar creatinina e potássio nas primeiras semanas.
Furosemida + ramipril: risco de hipotensão sintomática de primeira dose (depleção de volume pelo diurético) e de deterioração renal. Vigiar pressão arterial, creatinina e potássio.
A depleção volémica pelo diurético acentua a queda pressórica após a primeira dose do IECA.
Pressão arterial, sintomas de pré-síncope.
Hipotensão sintomática ou síncope na 1.ª toma.
Ajustar o diurético antes de iniciar o IECA e vigiar a tensão arterial.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ramipril: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3806abdc-6aec-4252-bd79-e2c115b849aa ; rótulo aprovado Furosemida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=6d9caaab-d874-4cf1-b9fe-408452a18998 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O ramipril reduz a excreção de potássio; alimentos ricos em potássio ou substitutos de sal com potássio podem causar hipercaliemia, sobretudo com função renal diminuída.
Evitar substitutos de sal com potássio; a ingestão alimentar habitual de potássio não é problemática.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Ramipril: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8067/smpc
O ramipril está contraindicado em doentes com antecedentes de angioedema associado a IECA ou angioedema hereditário/idiopático, pelo risco de recorrência grave.
Não usar em doentes com antecedentes de angioedema; usar alternativa de outra classe.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Ramipril: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8067/smpc
O ramipril está contraindicado em estenose bilateral das artérias renais (ou estenose em rim único funcionante), pelo risco de insuficiência renal aguda.
Não usar; avaliar a função renal e a etiologia da hipertensão antes de iniciar um IECA.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Ramipril: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8067/smpc
Os IECA são contraindicados na gravidez: podem causar lesão renal fetal, oligohidrâmnios e hipoplasia do crânio, sobretudo no 2.º e 3.º trimestres.
Não iniciar em grávidas; se a gravidez for detetada, suspender o ramipril imediatamente e mudar para terapêutica alternativa adequada.
Não é recomendado durante o aleitamento; preferir alternativa com perfil de segurança estabelecido.
Mulheres em idade fértil devem utilizar contraceção eficaz durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Ramipril: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8067/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Doses únicas de 2,5 a 20 mg produzem cerca de 60 a 80% de inibição da enzima de conversão da angiotensina (ECA) às 4 horas e 40 a 60% às 24 horas. Com doses múltiplas de 2 mg ou mais, a atividade da ECA plasmática cai mais de 90% às 4 horas, mantendo-se mais de 80% de inibição às 24 horas.
O ramipril é um pró-fármaco; o ramiprilato, o seu metabolito ativo, inibe a ECA (peptidil dipeptidase), reduzindo a conversão de angiotensina I em angiotensina II e a secreção de aldosterona, com diminuição da atividade vasopressora. Como a ECA é idêntica à cininase, a inibição pode aumentar a bradicinina, contribuindo para o efeito terapêutico.
Após administração oral, o pico plasmático do ramipril é atingido em cerca de 1 hora; a extensão da absorção é de pelo menos 50 a 60%. Os alimentos reduzem a velocidade, mas não a extensão da absorção. O pico do ramiprilato ocorre 2 a 4 horas após a toma. A ligação às proteínas plasmáticas é de cerca de 73% (ramipril) e 56% (ramiprilato).
É quase completamente metabolizado: a clivagem do grupo éster (sobretudo no fígado) converte-o em ramiprilato (cerca de 6 vezes mais ativo) e formam-se metabolitos inativos (dicetopiperazina e glucurónidos). Biodisponibilidade absoluta de 28% (ramipril) e 44% (ramiprilato). Cerca de 60% da dose é eliminada na urina e 40% nas fezes.
O ramiprilato tem uma fase de eliminação aparente com meia-vida de 9 a 18 horas e uma fase terminal prolongada (mais de 50 horas), relacionada com a ligação/dissociação do complexo ECA. Com doses múltiplas de 5 a 10 mg, a meia-vida na faixa terapêutica é de 13 a 17 horas.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.