O tacrolimus é um medicamento imunossupressor usado para evitar a rejeição após transplante de órgãos (rim, fígado, coração, pulmão). Reduz a atividade do sistema imunitário para que o corpo não ataque o órgão transplantado.
Também conhecido como: Tacrolimus, Prograf
Tacrolimus + claritromicina: a claritromicina reduz o metabolismo do tacrolimus (CYP3A4/P-gp), aumentando os seus níveis e o risco de nefrotoxicidade (QUADRO 2).
O tacrolimus é metabolizado pelo CYP3A4 e é substrato da glicoproteína-P; a claritromicina inibe ambas as vias, podendo aumentar as concentrações de tacrolimus de forma acentuada (várias vezes) e precipitar nefrotoxicidade e neurotoxicidade. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista esta interação nas secções da ciclosporina e dos macrólidos (aplicável aos inibidores da calcineurina). O risco é maior em transplantados com função renal já comprometida. Durante a claritromicina, reduzir a dose de tacrolimus (frequentemente para metade ou menos) e monitorizar os níveis séricos e a creatinina; preferir azitromicina quando possível.
Tacrolimus + claritromicina: inibição do CYP3A4 e P-gp — aumento acentuado do tacrolimus e nefrotoxicidade; reduzir dose e monitorizar níveis.
O tacrolimus é substrato do CYP3A4/P-gp; os macrólidos (claritromicina, eritromicina) reduzem o seu metabolismo, aumentando as concentrações e a toxicidade (QUADRO 2, Macrólidos/Ciclosporina: "Sirolímus, tacrolímus" entre os fármacos com concentração aumentada por inibição enzimática).
Monitorizar níveis sanguíneos de tacrolimus, função renal, potássio e TA durante o antibiótico.
Níveis elevados de tacrolimus, elevação da creatinina, hipercaliemia durante claritromicina.
Evitar a associação ou monitorizar níveis de tacrolimus e ajustar a dose (redução frequente de 50-75%).
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Ciclosporina; Macrólidos)
Tacrolimus + diltiazem: o diltiazem reduz o metabolismo do tacrolimus, aumentando os seus níveis e o risco de nefrotoxicidade (QUADRO 2).
O diltiazem inibe o CYP3A4, a principal via de metabolização do tacrolimus, aumentando as suas concentrações plasmáticas e o risco de nefrotoxicidade. O QUADRO 2 do Anexo 7 regista esta interação na secção dos bloqueadores da entrada de cálcio. O aumento dos níveis costuma surgir nos primeiros dias após iniciar o diltiazem; a suspensão do diltiazem tem o efeito inverso. O risco é maior em transplantados renais ou hepáticos com margem terapêutica estreita. Monitorizar a tacrolimemia e a creatinina ao iniciar, ajustar ou suspender o diltiazem, e considerar reduzir a dose de tacrolimus (tipicamente 30-50%).
Tacrolimus + diltiazem: inibição do CYP3A4 pelo diltiazem — aumento do tacrolimus; reduzir dose e monitorizar níveis e função renal.
O diltiazem (inibidor do CYP3A4/P-gp) reduz o metabolismo do tacrolimus — aumento das concentrações e da toxicidade (QUADRO 2, Bloqueadores da entrada de cálcio: "Tacrolímus: redução do metabolismo da tacrolímus com diltiazem, nicardipina, verapamilo").
Monitorizar função renal e níveis de tacrolimus.
Níveis elevados de tacrolimus e elevação da creatinina após iniciar diltiazem.
Monitorizar níveis de tacrolimus ao iniciar o diltiazem; reduzir a dose conforme necessário.
Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012) — Anexo 7, QUADRO 2 (Bloqueadores da entrada de cálcio)
O rótulo do tacrolimus instrui: "Not to eat grapefruit or drink grapefruit juice in combination with tacrolimus". O sumo de toranja inibe o CYP3A4, aumentando as concentrações do tacrolimus e o risco de nefrotoxicidade e neurotoxicidade.
Não comer toranja nem beber sumo de toranja durante o tratamento com tacrolimus.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tacrolimus capsule: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=55467f4b-8437-43a3-b6d9-1bc2a13b4c11
Rótulo Prograf: "Dosage Modification for Patients with Renal Impairment". O tacrolimus é nefrotóxico e a disfunção renal prévia aumenta o risco de lesão renal adicional e de toxicidade por acumulação.
Avaliar a função renal antes de iniciar e monitorizar durante o tratamento; considerar redução da dose em doentes com insuficiência renal e monitorizar níveis de tacrolimus quando disponível.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Prograf (tacrolimus, Astellas), secção Dosage Modification for Patients with Renal Impairment: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7f667de1-9dfa-4bd6-8ba0-15ee2d78873b
Rótulo Prograf: "Dosage Modification for Patients with Hepatic Impairment". O metabolismo hepático do tacrolimus está reduzido na IH, aumentando as concentrações e o risco de toxicidade (nefrotoxicidade, neurotoxicidade, hiperglicemia).
Reduzir a dose em doentes com insuficiência hepática (em especial na IH grave) e monitorizar níveis de tacrolimus quando disponível.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Prograf (tacrolimus, Astellas), secção Dosage Modification for Patients with Hepatic Impairment: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7f667de1-9dfa-4bd6-8ba0-15ee2d78873b
Rótulo PROGRAF (8.1): existe um registo de gravidez (Transplantation Pregnancy Registry International — TPRI) que monitoriza os resultados em recetoras de transplante expostas a imunossupressores; dados insuficientes para quantificar o risco.
Risco potencial (imunossupressor, dados limitados); avaliar caso a caso com a equipa de transplante.
Excretado no leite humano — recomenda-se não amamentar durante o tratamento (dados de literatura/8.2).
Discutir planeamento da gravidez e contraceção com recetoras de transplante em idade fértil.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tacrolimus (PROGRAF), secção 8.1: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7f667de1-9dfa-4bd6-8ba0-15ee2d78873b
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Imunossupressor (inibidor da calcineurina): liga-se à FKBP-12 e o complexo inibe a calcineurina, bloqueando a ativação dos linfócitos T; substrato do CYP3A4/3A5 e da P-gp, com janela terapêutica estreita (rótulo PROGRAF 12.1).
Inibição da calcineurina (via complexo com FKBP-12) — impede a desfosforilação/translocação do NFAT e a ativação dos linfócitos T.
Absorção oral variável (influenciada pelos alimentos); biodisponibilidade oral de aproximadamente 17-25% (dados da secção 12.3).
Metabolismo extenso pelo CYP3A4/3A5 (substrato); inibidores do CYP3A4/P-gp aumentam os níveis e indutores diminuem (7.2).
Meia-vida de eliminação de aproximadamente 11-19 horas em adultos (12.3).
Como este fármaco se relaciona com enzimas e transportadores (CYP450, COX, P-gp, MAO e outros). Cada papel tem ligação ao perfil do alvo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.