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Diarilquinolina (tuberculostático de 2.ª linha; prolonga o QT)
A bedaquilina é um antibiótico usado no tratamento da tuberculose resistente (multirresistente), sempre em associação com outros medicamentos. É tomada por via oral com alimentos. Por ser um medicamento especializado, é usada sob supervisão de equipas experientes no tratamento da tuberculose.
Também conhecido como: Sirturo
A Claritromicina prolonga o QT e inibe o CYP3A4, elevando os níveis de Bedaquilina — risco acrescido de arritmias.
A bedaquilina é metabolizada pelo CYP3A4 e a claritromicina inibe esta enzima, podendo aumentar substancialmente as suas concentrações; ambos os fármacos prolongam o intervalo QT, com risco aditivo de torsades de pointes. Em esquemas de tuberculose multirresistente com bedaquilina, evitar macrólidos; se um macrólido for necessário, preferir a azitromicina (menor interação) e vigiar ECG e eletrólitos.
Bedaquilina + claritromicina: a claritromicina eleva os níveis de bedaquilina (inibição do CYP3A4) e ambas prolongam o QT. Evitar a associação.
Inibição do metabolismo da bedaquilina e prolongamento do QT aditivo.
ECG (QTc) e eletrólitos.
Palpitações, síncope.
Evitar quando possível; ECG e vigilância.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67
A Rifampicina reduz substancialmente os níveis de Bedaquilina (cerca de 50%) — risco de falência e resistência na TB multirresistente.
A bedaquilina é metabolizada pelo CYP3A4 e a rifampicina, indutora potente, pode reduzir as suas concentrações em mais de 50%, comprometendo o tratamento da tuberculose multirresistente. O rótulo da bedaquilina desaconselha a associação com indutores potentes do CYP3A4. Deve evitar-se a coadministração; se for necessária, considerar esquemas alternativos e monitorizar a resposta clínica e microbiológica.
Bedaquilina + rifampicina: a rifampicina reduz drasticamente os níveis de bedaquilina (indução do CYP3A4), com risco de falência terapêutica. Evitar a associação.
Indução do CYP3A4, principal via de metabolização da Bedaquilina.
Resposta microbiológica (cultura e baciloscopia).
Persistência da positividade, resistência emergente.
Evitar a coadministração; se inevitável, considerar monitorização farmacoterapêutica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e ; rótulo aprovado Rifampicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b389b1a3-672f-47e3-916c-4a9c044b211b
Prolongamento do QT aditivo entre Bedaquilina e Ciprofloxacina.
A bedaquilina, usada na tuberculose multirresistente, prolonga o intervalo QT de forma dose-dependente, e a ciprofloxacina acrescenta o mesmo efeito da classe das fluoroquinolonas. A associação aumenta o risco de torsade de pointes, sobretudo em doentes com fatores de risco (QT longo, hipocaliemia, insuficiência renal, outros fármacos QT-prolongantes). O rótulo da bedaquilina desaconselha a coadministração com fármacos que prolonguem o QT. Na prática, preferir um antibiótico sem efeito no QT quando possível; se a ciprofloxacina for inevitável, monitorizar o ECG no início e durante o tratamento e corrigir eletrólitos.
Bedaquilina + ciprofloxacina: risco aditivo de prolongamento do QT. Evitar; se inevitável, monitorizar ECG.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca.
ECG (QTc).
Palpitações, síncope.
Precaução; ECG se fatores de risco.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e ; rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=14c3bc33-201d-492e-9aee-a4d84c813a3d
A Bedaquilina prolonga o QT; a associação com Amiodarona aumenta o risco de arritmias ventriculares.
A bedaquilina prolonga o intervalo QT (bloqueio do hERG) e a amiodarona prolonga-o também; o efeito é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta, sobretudo com hipocaliemia, hipomagnesemia ou em doentes com cardiopatia. A amiodarona inibe ainda o CYP3A4, via pela qual a bedaquilina é metabolizada, podendo elevar os seus níveis e agravar o prolongamento do QT. Recomenda-se evitar a associação em doentes com tuberculose multirresistente sempre que exista alternativa; se inevitável, vigiar ECG (idealmente semanal) e eletrólitos.
Bedaquilina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação; se inevitável, vigiar ECG semanalmente.
Prolongamento aditivo da repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações.
Evitar; se inevitável, ECG periódico e controle de eletrólitos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
O álcool adiciona hepatotoxicidade à da bedaquilina, aumentando o risco de lesão hepática.
Evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e
A toma da bedaquilina com alimentos aumenta a sua absorção e reduz a variabilidade dos níveis plasmáticos.
Tomar com alimentos, de preferência à mesma refeição diária.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e
A bedaquilina é hepatotóxica e deve ser usada com precaução em doentes com doença hepática, com vigilância de transaminases.
Vigiar transaminases; suspender perante elevações significativas ou sintomas de hepatite.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e
A bedaquilina prolonga o intervalo QT e o risco de arritmias aumenta em doentes com QT prolongado ou com fármacos que prolongam o QT.
Evitar em QT prolongado conhecido; vigiar ECG e eletrólitos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e
Os dados em humanos são muito limitados; a bedaquilina não é recomendada na gravidez, exceto se o benefício superar claramente o risco.
Evitar na gravidez; considerar apenas em tuberculose multirresistente sem alternativa.
Excretada no leite; evitar durante a amamentação (dados insuficientes).
Sem contraceção adicional específica.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antimicobacteriano diarilquinolínico com mecanismo de ação específico e novo: inibe a ATP-sintase micobacteriana (subunidade c), bloqueando a produção de energia (ATP) da micobactéria. É ativo contra Mycobacterium tuberculosis, incluindo estirpes multirresistentes, com especificidade para micobactérias.
A bedaquilina liga-se à subunidade c da ATP-sintase (F0F1) micobacteriana, impedindo a síntese de ATP — a micobactéria perde a sua principal fonte de energia e morre. Este alvo é diferente dos das classes antituberculosas clássicas, o que explica a atividade contra estirpes resistentes.
Uma refeição rica em gordura (22 g de gordura, 558 kcal) aumenta a Cmax e a AUC em 2 vezes — o medicamento deve ser tomado com alimentos para aumentar a biodisponibilidade oral. O Tmax é de cerca de 5 horas após dose oral única.
A bedaquilina é metabolizada principalmente pelo CYP3A4 no metabolito N-monodesmetil (M2), com exposição relativa de M2 de 23–31%. A excreção é predominantemente fecal; a excreção renal de fármaco inalterado é ≤0,001% da dose.
A semivida terminal é muito longa: aproximadamente 5,5 meses, tanto para a bedaquilina como para o metabolito M2. A ligação às proteínas plasmáticas é >99,9% e o volume de distribuição aparente é de ~117 L.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.