O efavirenz é um medicamento antirretroviral usado no tratamento da infeção por VIH, em associação com outros medicamentos. Nas primeiras semanas pode causar tonturas, pesadelos e dificuldade de concentração, que tendem a melhorar; tomar à noite ajuda a tolerar estes efeitos.
Também conhecido como: Sustiva, Stocrin
A associação de Praziquantel com Efavirenz não é recomendada: reduz de forma significativa as concentrações de Praziquantel, com risco de falência terapêutica.
O praziquantel é metabolizado pelo CYP3A4 e o efavirenz é um indutor moderado do CYP3A4: o rótulo do praziquantel documenta o estudo com 20 voluntários em que o efavirenz (400 mg/dia durante 13 dias) reduziu a AUC média do praziquantel em 77% (IC 95%: 38–91%) e a Cmax em 79% (IC 95%: 41–92%), e classifica a associação como "evitar, a menos que o benefício supere os riscos, devido ao risco de diminuição clinicamente significativa das concentrações plasmáticas de praziquantel que pode levar à redução do efeito terapêutico". Se o tratamento não puder ser adiado, considerar interromper o efavirenz 2–4 semanas antes do praziquantel (se possível) e monitorizar a eficácia anti-helmíntica; na prática, preferir alternativa ao efavirenz ou outro anti-helmíntico.
Efavirenz + praziquantel: o efavirenz induz o CYP3A4 e reduz muito os níveis de praziquantel (AUC −77%). Evitar; monitorizar eficácia.
O Efavirenz, indutor moderado do CYP3A4, acelera o metabolismo hepático do Praziquantel, diminuindo a sua exposição.
Vigiar a resposta parasitológica e os sintomas da infeção.
Falência do tratamento exige alternativa terapêutica.
Preferir alternativa terapêutica; se inevitável, monitorizar de perto a resposta à parasitose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Praziquantel: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34ce1cdd-648e-4f1e-8512-bf3d4cc22eb9 ; rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Efavirenz com Claritromicina reduz as concentrações da Claritromicina, comprometendo a resposta antimicrobiana; existe ainda risco de prolongamento do intervalo QT.
O efavirenz induz o CYP3A4 e reduz as concentrações de claritromicina em cerca de 40%, ao mesmo tempo que aumenta as do seu metabolito ativo (14-hidroxiclaritromicina); o significado clínico é variável, mas a eficácia antibiótica pode ficar comprometida e o risco de prolongamento do QT aumenta. Em doentes com VIH a receber claritromicina, considerar alternativa (ex.: azitromicina, com menor interação) e vigiar a resposta clínica.
Efavirenz + claritromicina: o efavirenz reduz os níveis de claritromicina (indução do CYP3A4) e aumenta os do metabolito ativo; o QT pode prolongar-se. Vigiar resposta e ECG.
O Efavirenz, indutor do CYP3A4, acelera o metabolismo da Claritromicina (↓ Claritromicina, ↑ do metabolito), reduzindo a sua eficácia.
Vigiar sinais de infeção não controlada e, se fatores de risco, o intervalo QT.
Agravamento da infeção durante o tratamento exige revisão do antibiótico.
Considerar um antibiótico alternativo (por exemplo azitromicina) para evitar a interação e reduzir o risco de QT prolongado.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Efavirenz com Carbamazepina reduz as concentrações de ambos os fármacos, com risco de falência no controlo da epilepsia e do VIH.
A interação é bidirecional: a carbamazepina induz o CYP3A4 e reduz as concentrações de efavirenz, e o efavirenz induz também o CYP3A4, reduzindo os níveis de carbamazepina. O resultado pode ser a perda simultânea do controlo virológico e do controlo das crises epiléticas. Sempre que possível, escolher outro antiepilético (ex.: levetiracetam, valproato) em doentes com efavirenz; se a associação for inevitável, vigiar a carga viral e os níveis de carbamazepina, ajustando doses.
Efavirenz + carbamazepina: indução mútua do CYP3A4 — ambos os fármacos podem ficar subterapêuticos. Vigiar níveis e resposta clínica.
Efavirenz induz o metabolismo da Carbamazepina e a Carbamazepina induz o metabolismo do Efavirenz, diminuindo mutuamente a exposição.
Monitorizar a ocorrência de crises convulsivas e a carga viral do VIH.
Agravamento das crises ou carga viral detetável exigem reavaliação do esquema antiepilético/antirretroviral.
Não havendo recomendação posológica fiável, preferir um antiepiléptico alternativo quando possível (por exemplo valproato, levetiracetam).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c ; rótulo aprovado Carbamazepina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f3d91cd-a959-4e07-a51b-8a4e9ba9ece2 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A associação de Efavirenz com Varfarina pode aumentar ou diminuir o efeito anticoagulante, com risco de hemorragia ou trombose.
O efavirenz é um indutor do CYP3A4 e do CYP2C9 (entre outras isoenzimas), acelerando o metabolismo da warfarina e reduzindo os seus níveis plasmáticos. O resultado habitual é a diminuição do INR, com risco de trombose se a dose não for ajustada; no entanto, o efeito é variável entre doentes e pode haver fases de instabilidade do INR em ambos os sentidos. Recomenda-se monitorizar o INR com frequência no início e na suspensão do efavirenz e ajustar a dose de warfarina em conformidade, alertando para sinais de tromboembolismo e de hemorragia.
O efavirenz induz o CYP2C9/CYP3A4 e pode REDUZIR o efeito da warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender o antirretrovírico e ajustar a dose.
O Efavirenz, indutor enzimático, altera o metabolismo da Varfarina; o efeito líquido é variável entre doentes.
INR frequente na introdução e nas alterações de dose.
INR elevado ou sinais de hemorragia/trombose exigem ajuste do anticoagulante.
Monitorizar o INR e ajustar a dose de Varfarina durante a co-administração.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057 — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
O álcool pode potenciar os efeitos no sistema nervoso central do efavirenz e adicionar hepatotoxicidade.
Evitar ou limitar fortemente o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c
As refeições ricas em gordura aumentam a absorção do efavirenz e podem potenciar os efeitos adversos no sistema nervoso central (tonturas, pesadelos, insónia).
Tomar o efavirenz em jejum, de preferência ao deitar.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c
O efavirenz causa efeitos neuropsiquiátricos (depressão, ideação suicida, psicose), com risco aumentado em doentes com doença psiquiátrica prévia.
Vigiar sintomas neuropsiquiátricos; suspender perante depressão grave ou ideação suicida.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c
O efavirenz é hepatotóxico, sobretudo nos primeiros meses e em coinfecção com hepatite B ou C; a doença hepática prévia aumenta o risco.
Vigiar transaminases; suspender perante sintomas de hepatite.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c
O efavirenz é teratogénico em primatas (defeitos do tubo neural) e deve ser evitado no 1.º trimestre; os dados humanos são limitados.
Evitar no 1.º trimestre; se possível, preferir alternativa (ex.: dolutegravir) em mulheres em idade fértil.
Excretado no leite; na infeção por HIV recomenda-se não amamentar independentemente do tratamento.
Aconselhar contraceção eficaz durante o tratamento (o efavirenz pode reduzir a eficácia dos contracetivos hormonais).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Efavirenz: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=92603fa5-7a2c-4bfb-9a70-aadb4fba952c
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Inibidor não nucleósido da transcriptase reversa (NNRTI) do VIH-1: liga-se diretamente à enzima transcriptase reversa, bloqueando a polimerização do ADN viral. Em associação com outros antirretrovirais reduz a carga viral e aumenta os CD4. Farmacocinética não linear com a dose; os efeitos neuropsiquiátricos estão relacionados com as concentrações plasmáticas.
O efavirenz liga-se ao sítio alostérico da transcriptase reversa do VIH-1, induzindo uma alteração conformacional que inibe as atividades de polimerase ADN-dependente e ARN-dependente — não compete com os nucleósidos. Não é ativo contra o VIH-2.
Os picos plasmáticos ocorrem em 3–5 horas; o estado estacionário é atingido em 6–10 dias. Os alimentos (refeição rica em gordura) aumentam a AUC em 28% e a Cmax em 79% — tomar em jejum, preferencialmente à noite. A ligação às proteínas plasmáticas é muito elevada (~99,5–99,75%).
O efavirenz é metabolizado principalmente pelo sistema do citocromo P450 em metabolitos hidroxilados, depois glucuronidados (CYP3A e CYP2B6 são as principais isoenzimas). Induz o CYP (autoindução): doses múltiplas de 200–400 mg/dia durante 10 dias resultam em acumulação 22–42% menor e semivida terminal mais curta.
A semivida terminal é de 52–76 horas após doses únicas e de 40–55 horas após doses múltiplas. Menos de 1% é excretado inalterado na urina — o impacto da insuficiência renal na eliminação é mínimo.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.