O tramadol é um analgésico opioide usado na dor moderada a intensa quando outros analgésicos não são suficientes. É eficaz, mas pode causar dependência, sonolência, náuseas e, em casos raros, convulsões ou síndrome serotoninérgica.
Também conhecido como: Tramal
Risco de síndrome serotoninérgica. A Fluoxetina inibe o CYP2D6, aumentando os níveis de Tramadol.
O rótulo da fluoxetina lista o tramadol entre os fármacos serotonérgicos cujo uso concomitante aumenta o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal, sobretudo no início do tratamento e em aumentos de dose; o rótulo do tramadol indica que o uso concomitante com inibidores do CYP2D6 (a fluoxetina é um inibidor potente do CYP2D6) tem efeitos complexos nos níveis de tramadol e do metabolito ativo M1, com risco aumentado de eventos adversos graves, incluindo convulsões e síndrome serotoninérgica. Sempre que possível, evitar a associação ou usar a menor dose eficaz, vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia) e sinais de convulsões.
Fluoxetina + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica e de convulsões (ISRS + tramadol, inibição do CYP2D6). Vigiar de perto.
Acumulação de serotonina: efeito do ISRS somado ao do Tramadol, mais inibição do seu metabolismo.
Sinais de serotonina nos primeiros dias.
Agitação, hipertermia, diarreia, tremores, clónus, confusão.
Usar uma alternativa analgésica ou vigiar sinais; evitar combinar dois fármacos serotonérgicos sem necessidade.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fluoxetina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09fb3100-1e06-4cdc-8016-7e4f5d097490 ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=552955e6-2bb3-8755-e063-6394a90ab21c
A associação de ondansetrom com tramadol aumenta o risco de síndrome serotoninérgico.
O rótulo do ondansetron indica que a síndrome serotoninérgica foi reportada com antagonistas dos recetores 5-HT3, na maioria dos casos com uso concomitante de fármacos serotonérgicos como o tramadol, e que o ondansetron pode aumentar a administração de tramadol pelo doente em analgesia controlada (PCA), pelo que se deve monitorizar a analgesia; o rótulo do tramadol inclui os antagonistas 5-HT3 entre os serotonérgicos com risco de síndrome serotoninérgica. Vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia) e garantir analgesia adequada; usar as menores doses eficazes.
Ondansetron + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica (antagonista 5-HT3 + serotonérgico) e possível aumento do uso de tramadol. Vigiar analgesia e serotonina.
O tramadol é serotoninérgico e o ondansetrom, embora antagonista 5-HT3, pode contribuir para excesso serotoninérgico em doentes suscetíveis.
Vigiar agitação, tremor, hipertermia, mioclonias e diarreia.
Síndrome serotoninérgico (hipertermia, rigidez, confusão).
Vigiar sintomas serotoninérgicos; usar com precaução em doentes polimedicados.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Ondansetrom: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=41366a20-0727-0446-e063-6294a90a957f ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Isoniazida com Tramadol aumenta o risco serotoninérgico e pode baixar o limiar convulsivo.
A isoniazida tem alguma atividade inibidora da monoamina oxidase (o rótulo da isoniazida indica que tem atividade inibidora da MAO, com interação com alimentos ricos em tiramina), e o tramadol é um inibidor fraco da recaptação de serotonina e noradrenalina; em conjunto, a associação pode aumentar o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal. O rótulo do tramadol alerta para a síndrome serotoninérgica com fármacos serotonérgicos e com fármacos que prejudicam o metabolismo da serotonina ou do tramadol (como os inibidores da MAO). Vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias, rigidez), sobretudo no início do tratamento, e considerar alternativas se necessário.
Isoniazida + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica (a isoniazida tem atividade inibidora da MAO). Vigiar sintomas.
Efeito MAO fraco da isoniazida e efeitos serotoninérgicos e convulsivos do tramadol.
Sinais serotoninergicos e neurologicos.
Confusao, tremor, convulsoes, hipertermia.
Evitar se possivel; se usados, vigiar sinais de serotonina e convulsoes.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Isoniazida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=93252cc8-c8d4-401b-bde5-ca8a3b57651e ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=552955e6-2bb3-8755-e063-6394a90ab21c
A associação de dextrometorfano com tramadol aumenta o risco de síndrome serotoninérgico e convulsões.
O dextrometorfano e o tramadol têm ambos ação serotoninérgica (inibição da recaptação de serotonina), e a associação soma o risco de síndrome serotoninérgica, potencialmente fatal, com sintomas como agitação, alucinações, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia, mioclonias e rigidez. O rótulo do tramadol alerta para a síndrome serotoninérgica com o uso concomitante de fármacos serotonérgicos, e a associação de antitússico com opioide deve ser evitada sempre que possível. Se inevitável, usar as menores doses, vigiar sintomas de serotonina e considerar alternativas (ex.: antitússico não serotonérgico).
Dextrometorfano + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica (dois serotonérgicos). Evitar ou vigiar de perto.
Ambos os fármacos aumentam a serotonina; o tramadol também reduz o limiar convulsivo.
Vigiar sintomas serotoninérgicos e neurológicos.
Síndrome serotoninérgico, convulsões.
Evitar a associação; se inevitável, vigiar de perto e usar a menor dose eficaz.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Dextrometorfano: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=0d99237c-0b52-0af6-e063-6394a90aba14 ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Anti-histamínico sedativo + tramadol: sedação aditiva e risco de convulsões.
A difenidramina (anti-histamínico de primeira geração) e o tramadol (opioide) têm ambos efeito depressor do sistema nervoso central; o rótulo da difenidramina alerta que os anti-histamínicos são mais propensos a causar tonturas, sedação e hipotensão em idosos, e a associação soma esse efeito ao do opioide, com risco de sedação excessiva, sonolência, confusão e queda. Recomenda-se evitar a associação sempre que possível (sobretudo em idosos), usar as menores doses eficazes, vigiar a sedação e informar o doente para não conduzir nem operar máquinas durante a associação.
Difenidramina + tramadol: sedação aditiva e risco de depressão do SNC. Evitar em idosos ou vigiar de perto.
Efeito depressor do SNC aditivo; o tramadol baixa o limiar convulsivo.
Nível de consciência e sintomas neurológicos.
Convulsões, sonolência excessiva, confusão.
Evitar em doentes idosos/frágeis; vigiar sedação e sintomas neurológicos.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Difenidramina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d8944f3c-acef-4ebe-9633-7d641ae95edf ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Risco elevado de síndrome serotoninérgica e de convulsões com Linezolida e Tramadol.
O tramadol aumenta a serotonina sináptica (bloqueio da recaptação) e reduz o limiar convulsivo; a linezolida inibe a monoamina oxidase. A associação pode precipitar síndrome serotoninérgica e convulsões, ambas potencialmente graves; o rótulo aprovado do tramadol contraindica o uso com inibidores da MAO (a linezolida funciona como tal). Evitar a combinação sempre que possível; se for clinicamente indispensável, usar a menor dose eficaz, vigiar sintomas serotoninérgicos e neurológicos e suspender perante qualquer sinal de alerta.
Linezolida (inibidor da MAO) + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica e de convulsões. Evitar a associação; vigiar sintomas serotoninérgicos e neurológicos.
Inibição da MAO (linezolida) somada à ação serotoninérgica e ao baixo limiar convulsivo do tramadol.
Sinais serotoninérgicos e neurológicos.
Convulsões, confusão, hipertermia, mioclonias.
Evitar; escolher um analgésico alternativo (ex.: paracetamol ou um opioide não serotoninérgico).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Linezolida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=374af2a7-d994-40bd-a86a-cd9038d0b72c ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=552955e6-2bb3-8755-e063-6394a90ab21c
Risco de síndrome serotoninérgica e diminuição do limiar convulsivo quando a Sertralina é combinada com o Tramadol.
O rótulo da sertralina lista o tramadol entre os serotonérgicos cujo uso concomitante aumenta o risco de síndrome serotoninérgica, e o rótulo do tramadol indica que o uso concomitante com inibidores do CYP2D6 (a sertralina inibe o CYP2D6) pode aumentar os níveis de tramadol e diminuir o metabolito ativo M1, com risco aumentado de eventos adversos graves, incluindo convulsões e síndrome serotoninérgica. A associação deve ser evitada sempre que possível; se inevitável, usar a menor dose eficaz, vigiar sintomas de serotonina (agitação, taquicardia, hipertermia, hiperreflexia) e sinais de convulsões, e reavaliar a necessidade do opioide.
Sertralina + tramadol: risco de síndrome serotoninérgica e de convulsões (tramadol + ISRS). Vigiar de perto; considerar alternativas.
A Sertralina aumenta a serotonina central e o Tramadol também o faz, além de reduzir o limiar para convulsões.
Observar sinais de serotonina e convulsões nos primeiros dias da associação.
Agitação, tremor, hipertermia, clonus, convulsões, confusão.
Evitar a combinação se possível; se inevitável, usar a menor dose e vigiar sinais.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Sertralina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=91e24d17-ff0a-449c-9472-b9df74c98456 ; rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=552955e6-2bb3-8755-e063-6394a90ab21c
O álcool potencia a depressão do sistema nervoso central do tramadol, com risco de sedação excessiva e depressão respiratória.
Evitar o consumo de álcool durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5
O tramadol pode ser administrado com ou sem alimentos; a toma com alimentos pode reduzir a náusea.
Tomar à mesma hora todos os dias, com ou sem alimentos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5
O tramadol reduz o limiar convulsivo e aumenta o risco de convulsões, sobretudo em doses elevadas ou com fármacos serotoninérgicos.
Usar com precaução em doentes com epilepsia e evitar doses elevadas.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5
O tramadol deprime o centro respiratório; o risco é maior em doentes com doença respiratória grave ou em doses elevadas.
Usar com precaução e monitorizar a respiração, sobretudo no início do tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5
O uso prolongado de opioides na gravidez causa dependência e síndrome de abstinência neonatal; o uso no parto pode deprimir a respiração do recém-nascido.
Evitar o uso crónico; usar a menor dose pelo menor tempo possível.
Presente no leite materno; evitar a amamentação durante o uso (risco de sedação no lactente).
Usar contraceção eficaz se o tratamento for crónico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Tramadol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=9f0e33bd-65f8-446a-886f-e7e16a142ce5
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Analgésico opioide com inibição da recaptação de noradrenalina e serotonina. A analgesia começa cerca de 1 hora após a administração e atinge o pico em 2 a 3 horas. Sem efeito significativo no QTcF a 600 mg/dia (1,5 vezes a dose diária máxima de libertação imediata). Causa depressão respiratória por ação direta nos centros respiratórios do tronco cerebral.
Agonista dos recetores μ-opioides (ligação de baixa afinidade do composto-mãe e de alta afinidade do metabolito M1, O-desmetiltramadol) e inibição fraca da recaptação de noradrenalina e serotonina. Em modelos animais, M1 é até 6 vezes mais potente na analgesia e 200 vezes mais potente na ligação ao recetor μ.
Biodisponibilidade oral absoluta média de cerca de 75% (100 mg); pico plasmático de tramadol cerca de 2 horas e de M1 cerca de 3 horas; estado estacionário em 2 dias com 4 tomas diárias. Os alimentos não afetam significativamente a taxa ou a extensão da absorção.
Extensamente metabolizado após administração oral (CYP2D6 para M1 ativo — sujeito a inibição por fluoxetina, paroxetina, quinidina — e CYP3A4, com conjugação). Cerca de 30% da dose é excretada inalterada na urina e 60% como metabolitos. Na insuficiência hepática grave, a semivida aumenta para 13 horas (tramadol) e 19 horas (M1).
Semividas terminais de eliminação de 6,3 ± 1,4 horas (tramadol racémico) e 7,4 ± 1,4 horas (M1); volume de distribuição de 2,6 a 2,9 L/kg e ligação às proteínas plasmáticas de cerca de 20%. Na insuficiência renal (CLcr <30 mL/min) recomenda-se ajuste do esquema.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.