O Carbimazol altera o estado tiroideu e modifica de forma imprevisível o efeito anticoagulante da Warfarina, com risco de hemorragia (INR supraterapêutico) ou de falha anticoagulante (INR infraterapêutico).
A hiperfunção tiroideia aumenta o catabolismo dos factores de coagulação dependentes da vitamina K e a sensibilidade à varfarina; quando a tiomamida restaura o eutiroidismo as necessidades de varfarina mudam (habitualmente com redução de dose), pelo que o efeito anticoagulante pode aumentar ou diminuir ao longo das 6–8 semanas de reequilíbrio tiroideu.
INR frequente, TSH e T4 livre, hemoglobina, sinais hemorrágicos e de trombose.
Epistaxis, gengivorragia, hematúria, melenas, cefaleia súbita; dor e edema de membro (trombose).
Determinar o INR antes de iniciar e a cada 1–2 semanas durante o ajuste da função tiroideia, com ajuste posológico em passos pequenos; o efeito é bidireccional, pelo que se vigia tanto hemorragia como trombose.
Drugs.com, monografia profissional Methimazole/Warfarin — "Anticoagulation effects may be increased or decreased with the concomitant use of antithyroid drugs and vitamin K antagonists"; Howard-Thompson A. et al., Graves Disease and Treatment Effects on Warfarin (PMC4065757): https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4065757/; Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), 8.3 Hormonas da tiróide e antitiroideus.
A Iodopovidona aplicada em feridas extensas ou mucosas é absorvida em quantidade suficiente para afectar a tiróide, podendo desequilibrar a terapêutica antitiroideia e interferir com as provas de função tiroideia.
Carga de iodo absorvida sistemicamente que altera a resposta da tiróide: o Prontuário (Iodopovidona 13.1.1, l. 32182-32188) refere que a iodopovidona "pode ser absorvido em quantidade suficiente para afectar a tiróide", exigindo cuidado "em doentes com perturbações tiroideias", e que "pode interferir no resultado dos testes de função tiroideia".
TSH, T4 livre, T3 e clínica de hipo ou hipertiroidismo.
Bócio de instalação recente, taquicardia, agravamento do hipertiroidismo, letargia (hipotiroidismo).
Evitar a aplicação prolongada em áreas extensas ou mucosas em doentes medicados com antitiroideus; preferir clorexidina; interpretar TSH e T4 livre com cautela nas semanas seguintes à exposição.
Prontuário Terapêutico INFARMED (11.ª ed., 2012), Iodopovidona 13.1.1 — absorção sistémica com efeito na tiróide e interferência nas provas tiroideias (l. 32182-32188).
Alimentos muito ricos em iodo (algas marinhas, kelp, suplementos de iodo) podem antagonizar ou desestabilizar o controlo do hipertiroidismo durante a toma de antitiroideus.
Evite algas marinhas e suplementos de iodo; mantenha a dieta habitual consistente.
Prontuário Terapêutico INFARMED, 8.3 (antitiroideus — controlo do hipertiroidismo dependente do balanço de iodo).
O carbimazol está contra-indicado em perturbações hepáticas — hepatotoxicidade idiossincrática pode ser fatal.
Avaliar função hepática antes de iniciar; suspender se surgirem sintomas de hepatite (icterícia, colúria, prurido).
Prontuário Terapêutico INFARMED, 8.3 — Carbimazol: "Contra-Ind. e Prec.: ... perturbações hepáticas, gravidez e aleitamento".
Agranulocitose é a reação adversa mais grave do carbimazol (rara mas fatal); a neutropenia prévia aumenta o risco e obriga a vigilância hematológica.
Solicitar hemograma antes de iniciar e a qualquer suspeita de infeção (febre, garganta irritada); suspender em caso de neutropenia.
Prontuário Terapêutico INFARMED, 8.3 — Carbimazol: "raras mas graves situações de agranulocitose... suspender-se a medicação em caso de evidência de neutropenia".
As tiomamidas (carbimazol e o metabolito tiamazol) atravessam a placenta e podem causar bócio fetal e neonatal, hipotiroidismo e aplasia cutânea neonatal (defeito localizado do couro cabeludo). O Prontuário regista "Bócio neonatal" para o carbimazol (Anexo 1). O hipertiroidismo materno não controlado associa-se, ele próprio, a aborto, prematuridade e bócio fetal — o tratamento deve ser mantido com a dose mínima eficaz.
Usar apenas se necessário, na dose mínima eficaz, e preferir o propiltiouracilo no 1.º trimestre (menor risco de malformações congénitas com carbimazol/tiamazol nesse período); trocar para carbimazol no 2.º–3.º trimestres pelo risco de hepatotoxicidade do PTU. Vigilância fetal (bócio, frequência cardíaca) e função tiroideia neonatal.
O carbimazol/tiamazol é excretado no leite e pode causar hipotiroidismo e bócio no lactente ("Tiamazol... presente no leite"; produtor recomenda evitar). Se a amamentação for imprescindível, usar dose mínima (≤15 mg/dia) e vigiar a tiroideia do lactente; historicamente recomenda-se evitar.
Tratar o hipertiroidismo antes de planear a gravidez; a tirotoxicose não tratada na gravidez associa-se a aborto e pré-eclâmpsia.
Prontuário Terapêutico INFARMED — Anexo 1: "Carbimazol — Bócio neonatal" (l. 39611); 8.5 (Tiamazol, p. 357); EMC-UK (MHRA) — SmPC Carbimazole: https://www.medicines.org.uk/emc/product/2175/smpc (secção 4.6).
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Redução progressiva da síntese de T3/T4 (início clínico 2–4 semanas); normalização da função tiroideia em 6–12 semanas.
Profármaco a metimazol: inibe a tiroide peroxidase (TPO), bloqueando a iodinação da tiroglobulina e o acoplamento de iodotirosinas (MIT/DIT → T3/T4).
Oral: absorção rápida e completa; captura tiroideia ativa (acumulação na glândula).
Conversão hepática a metimazol; metabolismo subsequente do metimazol; excreção renal.
~ 3–6 h (metimazol; permanência intratiroideia mais longa).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.