A hidroxicloroquina é um medicamento usado no lúpus, na artrite reumatoide e no tratamento e prevenção da malária. Em uso prolongado pode afetar a retina, pelo que exige exames oftalmológicos periódicos.
Também conhecido como: Plaquenil
Efeito hipoglicemiante aditivo — risco acrescido de hipoglicemia em doentes diabéticos.
A hidroxicloroquina pode causar hipoglicemia grave e potencialmente fatal, "na presença ou ausência de antidiabéticos" (o rótulo refere explicitamente que "pode potenciar os efeitos da insulina e dos antidiabéticos e, consequentemente, aumentar o risco de hipoglicemia — pode ser necessário reduzir a dose de insulina e de outros antidiabéticos", e recomenda monitorizar a glicemia nos doentes diabéticos). A associação com metformina soma os efeitos hipoglicemiantes. Nota: o rótulo da hidroxicloroquina indica que esta não inibe o OCT2 in vitro, pelo que o mecanismo é essencialmente farmacodinâmico. Monitorizar a glicemia no início da associação e sempre que a dose de hidroxicloroquina mudar, avisar o doente para os sinais de hipoglicemia (sudorese, tremor, palpitações, confusão) e considerar reduzir a dose de metformina ou de outros antidiabéticos.
Hidroxicloroquina + metformina: hipoglicemia aditiva. Monitorizar glicemia e considerar reduzir a dose do antidiabético.
A Hidroxicloroquina melhora a sensibilidade à insulina, potenciando o efeito da Metformina.
Glicemia capilar, HbA1c e sintomas de hipoglicemia.
Sudorese, tremor, confusão, desmaios.
Monitorizar a glicemia e ajustar a dose do antidiabético se necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Metformina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=13b1e35f-d047-8ddc-e063-6394a90a24dd
Prolongamento do QT aditivo com risco de arritmias ventriculares.
A hidroxicloroquina bloqueia os canais de potássio (hERG) e prolonga o intervalo QT; associada à amiodarona, o efeito é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta, sobretudo com hipocaliemia, bradicardia, insuficiência renal ou cardiopatia. Em doentes em amiodarona crónica (ex.: FA) que necessitem de hidroxicloroquina (lúpus, artrite reumatoide, malária), recomenda-se preferir alternativa ou vigiar ECG antes e durante o tratamento, corrigindo eletrólitos.
Hidroxicloroquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de arritmias ventriculares. Evitar ou vigiar ECG.
Ambos prolongam a repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações.
Evitar quando possível; se necessário, ECG e eletrólitos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Efeito aditivo no prolongamento do QT — risco de arritmias.
A hidroxicloroquina e a claritromicina prolongam ambas o intervalo QT; o efeito aditivo aumenta o risco de torsades de pointes, sobretudo em doentes com QT basal prolongado, hipocaliemia, insuficiência renal ou cardiopatia. Em doentes com lúpus ou artrite reumatoide em hidroxicloroquina que necessitem de antibiótico, preferir um macrólido com menor efeito no QT ou outra classe; se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos.
Hidroxicloroquina + claritromicina: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação ou vigiar ECG.
Bloqueio aditivo dos canais de potássio cardíacos.
ECG (QTc) e eletrólitos.
Palpitações, síncope.
Precaução; ECG se fatores de risco.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Claritromicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=d836ae7e-fdbf-4dcb-a90d-ede1dcbc3e67
Hidroxicloroquina + aspirina: risco gastrointestinal aditivo.
A aspirina, sobretudo em doses anti-inflamatórias ou com uso prolongado, pode irritar a mucosa gástrica; a hidroxicloroquina associa-se também a sintomas gastrointestinais (náuseas, diarreia, desconforto abdominal). A associação pode somar estes efeitos e aumentar o risco de dispepsia ou, mais raramente, de lesão da mucosa. Em doentes com história de úlcera, considerar gastroproteção, usar a menor dose eficaz de aspirina e vigiar sintomas digestivos; a toma com alimentos pode reduzir o desconforto.
Hidroxicloroquina + aspirina: risco gastrointestinal aditivo. Usar com precaução e vigiar sintomas digestivos.
Ambos podem irritar a mucosa gástrica.
Sintomas GI após a associação.
Dispepsia, dor epigástrica, melena.
Vigiar sintomas dispépticos; considerar gastroprotecção em doentes de risco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=da435181-0c5a-4188-8d59-51234116b005 ; rótulo aprovado Ácido acetilsalicílico: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3ba0a9f2-062a-401e-82eb-54383a822366 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Hidroxicloroquina pode aumentar o efeito da Warfarina — risco hemorrágico.
A hidroxicloroquina, como a cloroquina, pode inibir o metabolismo da warfarina e aumentar o INR, embora o mecanismo não esteja totalmente esclarecido. Os relatos são mais frequentes em doentes com lúpus eritematoso sistémico ou artrite reumatoide em tratamento crónico, nos quais a interação se pode manifestar semanas após o início. Recomenda-se monitorizar o INR no início e na suspensão da hidroxicloroquina e ajustar a dose de warfarina; vigiar sinais de hemorragia.
A hidroxicloroquina pode aumentar o efeito da warfarina. Monitorizar o INR ao iniciar e suspender, sobretudo em tratamentos prolongados (lúpus, artrite reumatoide).
Possível inibição do metabolismo da Warfarina (CYP2C9).
INR e sinais de hemorragia.
Hemorragia, equimoses, fezes escuras.
Monitorizar o INR ao iniciar/parar e ajustar a dose.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
A Hidroxicloroquina aumenta os níveis de Digoxina — risco de toxicidade digitálica.
A hidroxicloroquina, como a cloroquina, pode inibir a glicoproteína-P e reduzir a eliminação da digoxina, aumentando as suas concentrações e o risco de toxicidade digitálica. A interação é mais relevante em doentes com lúpus ou artrite reumatoide em tratamento prolongado, nos quais o efeito se pode manifestar ao longo de semanas. Recomenda-se monitorizar a digoxinemia e o ECG quando se inicia ou ajusta a hidroxicloroquina e vigiar sinais de toxicidade digitálica (náuseas, bradicardia, arritmias, alterações visuais).
A hidroxicloroquina pode inibir a P-gp e aumentar os níveis de digoxina. Monitorizar a digoxinemia em tratamentos prolongados.
Inibição da glicoproteína-P, reduzindo a excreção renal da Digoxina.
Digoxinemia, ECG e função renal.
Náuseas, alterações visuais, bradicardia.
Monitorizar a digoxinemia; ajustar a dose se necessário.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5886e233-b2da-4acb-be05-9bf40fb8e7f4
Dois fármacos da mesma família (4-aminoquinolinas) — associação sem benefício, com risco aditivo de toxicidade ocular, QT e cardíaca.
A cloroquina e a hidroxicloroquina são antimaláricos da mesma classe (4-aminoquinolinas), ambos associados a prolongamento do QT, arritmias ventriculares e, com uso prolongado, cardiomiopatia (o rótulo da hidroxicloroquina descreve cardiomiopatia e arritmias ventriculares fatais ou potencialmente fatais; o da cloroquina, prolongamento do QT, torsade de pointes e risco maior com outros QT-prolongantes). A associação não traz benefício adicional e soma o risco cardíaco e de retinopatia. Evitar; se por algum motivo forem coadministrados (não recomendado), monitorizar ECG, eletrólitos e sinais de cardiotoxicidade.
Cloroquina + hidroxicloroquina: QT aditivo e cardiotoxicidade cumulativa. Evitar a associação (fármacos da mesma classe).
Sobreposição de mecanismos: bloqueio de canais de potássio, acumulação tecidual e risco retiniano aditivo.
Não aplicável se não combinado; em uso prolongado de qualquer um: rastreio oftalmológico.
Alterações visuais, palpitações, miopatia.
Não combinar; escolher um único fármaco antimalárico.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=06c69e2b-211b-4746-9f3a-f86d36520570 ; rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341
A toma com alimentos ou leite reduz as náuseas.
Tomar com alimentos ou leite para melhorar a tolerância.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Hidroxicloroquina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/11540/smpc
O metabolismo hepático reduzido pode aumentar a exposição.
Usar com precaução e monitorizar função hepática.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Hidroxicloroquina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/11540/smpc
A hidroxicloroquina pode causar retinopatia cumulativa irreversível.
Avaliação oftalmológica basal e periódica (sobretudo > 5 anos ou fator de risco).
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Hidroxicloroquina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/11540/smpc
Usada habitualmente em lúpus durante a gravidez (reduz surtos); benefício geralmente supera o risco.
Manter sob vigilância especializada; não suspender em lúpus sem indicação médica.
Concentrações no leite baixas; considerado compatível com a amamentação.
Planear a gravidez com a equipa; contraceção não é contraindicada.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Hidroxicloroquina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/11540/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
4-aminoquinolina antimalárica e antirreumática. Biodisponibilidade oral absoluta média de 79% em jejum; Tmax de cerca de 3,3 horas (sangue total) após 200 mg. Distribuição tecidular extensa (volume de distribuição grande); cerca de 50% ligada às proteínas plasmáticas. As concentrações no sangue total em estado estacionário são proporcionais à dose (200 a 400 mg/dia).
Antimalárico: concentra-se nas vesículas ácidas do parasita e inibe a polimerização do heme; pode inibir certas enzimas por interação com o ADN. Os efeitos anti-inflamatórios e imunomoduladores na artrite reumatoide, no lúpus eritematoso sistémico e no lúpus discóide crónico não são totalmente conhecidos.
Biodisponibilidade oral absoluta média de 79% em jejum; pico no sangue total cerca de 3,3 horas após 200 mg. A fração absorvida é muito variável na artrite reumatoide (30 a 100%), com níveis médios significativamente mais altos em doentes com menor atividade da doença.
Metabolizada principalmente pelo CYP2C8, CYP3A4 e CYP2D6 (e pelas FMO-1 e MAO-A). Metabolitos: desetil-hidroxicloroquina (principal), desetilcloroquina e bidesetil-hidroxicloroquina. Depuração renal do fármaco inalterado de cerca de 16 a 30% da dose; sem alteração com a administração crónica.
Semivida de cerca de 40 dias no sangue total após dose única; com uso crónico, a semivida terminal varia de 40 a 50 dias e o estado estacionário é atingido ao fim de 6 semanas com 400 mg/dia (a semivida de absorção é de 3 a 4 horas).
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.