A adrenalina (epinefrina) é um medicamento de emergência usado sobretudo no tratamento da anafilaxia (reação alérgica grave) e em situações de paragem cardíaca ou choque. Em caso de anafilaxia, a injeção deve ser feita de imediato — não esperar.
Também conhecido como: Epipen, adrenalina, epinephrine, adrenaline
Adrenalina + teofilina: efeitos cardíacos e hipocaliemia aditivos.
O rótulo da adrenalina documenta explicitamente os "fármacos que potenciam os efeitos hipocaliémicos da epinefrina — diuréticos depletores de potássio, corticosteroides e teofilina" e recomenda "observar o desenvolvimento de arritmias cardíacas" com essas associações. Em sentido inverso, a teofilina "aumenta a libertação de catecolaminas endógenas", com "risco aumentado de arritmias ventriculares" (rótulo da teofilina), e baixa o limiar convulsivo. A associação é sobretudo relevante em contexto hospitalar (adrenalina em perfusão + teofilina/aminofilina) e em doentes com doença cardíaca isquémica ou hipocaliemia prévia. Monitorizar potássio sérico, ECG e sinais de toxicidade (tremores, palpitações, arritmias); corrigir a hipocaliemia e reduzir doses sempre que possível.
Adrenalina + teofilina: a teofilina potencia a hipocaliemia da adrenalina e ambas aumentam o risco de arritmias. Monitorizar potássio e ritmo cardíaco.
Ambos são estimulantes β-adrenérgicos; aumentam o risco de taquicardia, tremores e hipocaliemia.
Potássio sérico e eletrocardiograma.
Taquiarritmias, tremores, hipocaliemia sintomática.
Monitorizar potássio e ritmo cardíaco, sobretudo em doentes cardiovasculares.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Teofilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5e64036a-ee3e-42e7-9e59-881f88a4e298 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Adrenalina + antiarrítmico: risco de arritmias ventriculares.
A amiodarona prolonga o intervalo QT e a repolarização ventricular, e a adrenalina, ao estimular os recetores beta e alfa, aumenta a automaticidade e o consumo de oxigénio do miocárdio. Em conjunto, o risco de taquicardias ventriculares e de extrassistolia aumenta, sobretudo em contexto de emergência (paragem cardiorrespiratória, anafilaxia) ou de cardiopatia isquémica. A hipocaliemia favorece ainda mais as arritmias. Recomenda-se monitorizar o ECG, corrigir eletrólitos (potássio e magnésio) e usar as menores doses eficazes de adrenalina.
Adrenalina + amiodarona: risco aumentado de arritmias ventriculares e taquicardia (a amiodarona prolonga o QT e a adrenalina aumenta a automaticidade). Usar com precaução e vigiar ECG.
A estimulação adrenérgica adiciona-se a fármacos que prolongam a repolarização, aumentando o risco de arritmia.
Eletrocardiograma e tensão arterial.
Palpitações, taquicardia, arritmias ventriculares.
Usar com precaução em doentes com doença cardíaca; monitorizar ritmo cardíaco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Adrenalina + fluoroquinolona: risco teórico de prolongamento do QTc.
Tanto a adrenalina como a ciprofloxacina podem, em circunstâncias particulares, contribuir para o prolongamento do intervalo QT, embora o risco aditivo seja essencialmente teórico para esta associação. Na prática clínica a combinação surge sobretudo em contexto de emergência (anafilaxia em doente a tomar ciprofloxacina) ou de infeção grave com instabilidade hemodinâmica. Não é necessário evitar a associação, mas em doentes com fatores de risco (QT longo congénito, hipocaliemia, bradicardia, outros fármacos que prolonguem o QT) é prudente vigiar o ECG e corrigir eletrólitos.
Adrenalina + fluoroquinolona: risco teórico de prolongamento do QTc. Vigiar ECG em doentes de risco.
Ambos podem prolongar o intervalo QTc em doentes suscetíveis.
Eletrocardiograma em doentes de risco.
Palpitações, síncope.
Usar com precaução em doentes com fatores de risco de QTc prolongado.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Ciprofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c527d138-e32c-418f-9573-a3d8a796279f — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Adrenalina + β2-agonista: efeitos simpáticos e hipocaliemia aditivos.
A adrenalina ativa recetores α e β (β1 e β2) e o salbutamol é um β2-agonista seletivo; em conjunto, a estimulação β aditiva aumenta a taquicardia, os tremores e o desvio intracelular de potássio — o rótulo da adrenalina lista a "hipocaliemia" entre as reações adversas e os fármacos que "potenciam os efeitos hipocaliémicos da epinefrina", recomendando observar arritmias; o salbutamol "pode produzir hipocaliemia significativa em alguns doentes... com potencial para efeitos cardiovasculares adversos". A associação ocorre sobretudo em contexto de emergência (anafilaxia/asma aguda em doente a usar β2-agonistas em casa) e em cuidados intensivos. Monitorizar o ritmo cardíaco e o potássio, sobretudo em doses repetidas ou em doentes com doença coronária.
Adrenalina + salbutamol: sobreposição β-adrenérgica — taquicardia, tremores e perda de potássio aditivos. Monitorizar ritmo cardíaco e potássio.
A sobreposição β-adrenérgica aumenta taquicardia, tremores e perda de potássio.
Potássio e ritmo cardíaco.
Palpitações, tremores, hipocaliemia.
Monitorizar potássio e sintomas cardiovasculares em doentes de risco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Salbutamol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=3236f82c-14e9-dfd4-e063-6294a90ac43d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Adrenalina + digoxina: risco de arritmias (sensibilização miocárdica).
A digoxina sensibiliza o miocárdio à estimulação simpática: a adrenalina, ao estimular os recetores beta e alfa, aumenta a automaticidade e pode precipitar arritmias ventriculares, incluindo taquicardia ventricular, em doentes digitálicos. O risco é maior com hipocaliemia (que a própria digoxina favorece) e com doses elevadas de adrenalina. Esta associação surge sobretudo em contexto de emergência (paragem cardiorrespiratória, anafilaxia) ou em doentes com insuficiência cardíaca avançada. Recomenda-se monitorizar o ECG durante a administração, corrigir eletrólitos (sobretudo potássio e magnésio) e usar as menores doses eficazes de adrenalina.
Adrenalina + digoxina: risco aumentado de arritmias ventriculares (a digoxina sensibiliza o miocárdio à estimulação beta-adrenérgica). Usar com precaução e vigiar ECG.
Ambos aumentam a automaticidade miocárdica; a hipocaliemia potenciada aumenta o risco de arritmias.
Eletrocardiograma e potássio sérico.
Arritmias, palpitações, hipocaliemia.
Monitorizar ritmo cardíaco e potássio em doentes com doença cardíaca.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=e61d2108-d871-44c0-b12a-2e61fbb56967 — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A cafeína pode potenciar os efeitos adrenérgicos da adrenalina (tremores, taquicardia).
Limitar o consumo de cafeína durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Adrenalina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/3673/smpc
A adrenalina pode elevar marcadamente a tensão arterial.
Usar com precaução e monitorizar tensão arterial.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Adrenalina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/3673/smpc
O hipertiroidismo potencia os efeitos da adrenalina (taquicardia, arritmias).
Usar com precaução e monitorizar sintomas cardiovasculares.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Adrenalina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/3673/smpc
A adrenalina aumenta o trabalho miocárdico e pode precipitar isquemia/arritmias.
Usar com precaução em doentes com cardiopatia isquémica; monitorizar.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Adrenalina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/3673/smpc
A adrenalina é usada em emergências (anafilaxia) na gravidez quando o benefício supera o risco; o risco de hipoperfusão materna/fetal não tratada é maior que o da exposição.
Usar apenas em emergência sob orientação médica.
Não contraindica a amamentação após uso agudo.
Sem contraceção adicional específica.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Adrenalina: https://www.medicines.org.uk/emc/product/3673/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Catecolamina (agonista dos recetores α e β-adrenérgicos). Início rápido e curta duração de ação: a subida da pressão arterial após dose intravenosa inicia-se em menos de 5 minutos e o efeito termina cerca de 20 minutos depois. Em doses baixas predomina a vasodilatação β2 (com descida da pressão diastólica); em doses mais altas, a vasoconstrição α1 periférica. Aumenta a glicogenólise, reduz a captação de glicose e inibe a libertação de insulina, com hiperglicemia.
Atua nos recetores α e β-adrenérgicos: estimulação miocárdica direta (ação inotrópica positiva), aumento da frequência cardíaca (ação cronotrópica positiva) e vasoconstrição periférica. Na anafilaxia, reduz a vasodilatação e a permeabilidade vascular (α) e relaxa o músculo liso brônquico (β), aliviando broncospasmo, sibilância e dispneia.
Após administração parentérica, o início é rápido e a duração curta; após injeção intravenosa, a adrenalina é rapidamente depurada do plasma com semivida efetiva inferior a 5 minutos; o estado estacionário em perfusão contínua é atingido em 10 a 15 minutos.
Extensamente metabolizada, com pequena quantidade excretada inalterada; degradada rapidamente em ácido vanilmandélico (metabolito inativo) pela monoamina oxidase (MAO) e pela catecol-O-metiltransferase (COMT). Órgãos com maior contribuição para a remoção: fígado (32%), rins (25%), músculo esquelético (20%) e órgãos mesentéricos (12%).
Semivida efetiva inferior a 5 minutos após injeção intravenosa; farmacocinética proporcional à dose na perfusão contínua (0,03 a 1,7 mcg/kg/min). O peso corporal influencia a farmacocinética — pesos mais altos associam-se a maior depuração e menor platô de concentração.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.