A amiodarona é um antiarrítmico usado em arritmias graves do coração que não responderam a outros tratamentos. É muito eficaz, mas pode afetar vários órgãos (pulmão, fígado, tiroide, olhos, pele), pelo que exige vigilância médica apertada e análises/ECG regulares.
Também conhecido como: Cordarone
A Amiodarona aumenta os níveis plasmáticos de Digoxina, com risco de toxicidade digitálica.
A amiodarona é um inibidor potente da glicoproteína-P (P-gp), o transportador que elimina a digoxina a nível intestinal, renal e biliar. A inibição reduz a clearance da digoxina e pode aumentar as suas concentrações em 50–100%, com risco de toxicidade digitálica (náuseas, arritmias, alterações visuais). O efeito desenvolve-se nos primeiros dias e persiste durante semanas após suspender a amiodarona (semivida longa). O rótulo da digoxina recomenda reduzir a dose em cerca de 30–50% quando se inicia amiodarona e monitorizar a digoxinemia e o ECG. Esta associação é comum na fibrilhação auricular, exigindo controlo apertado.
A amiodarona inibe a glicoproteína-P e pode DUPLICAR os níveis de digoxina. Reduzir a dose de digoxina em 30–50% ao iniciar e monitorizar a digoxinemia.
A Amiodarona inibe a P-glicoproteína e o metabolismo hepático da Digoxina, podendo duplicar as suas concentrações.
Digoxinemia a partir da 1.ª semana e vigilância de sintomas.
Náuseas, visão amarela ou esborratada, bradicardia, arritmias.
Reduzir a dose de Digoxina (habitualmente para metade) e monitorizar os níveis séricos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d ; rótulo aprovado Digoxina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5886e233-b2da-4acb-be05-9bf40fb8e7f4
Risco elevado de prolongamento do QT e arritmias ventriculares; associação a evitar na maioria dos doentes.
A cloroquina bloqueia os canais de potássio e sódio cardíacos e prolonga o intervalo QT; com a amiodarona, o efeito é aditivo e o risco de arritmias ventriculares aumenta, sobretudo com hipocaliemia, bradicardia ou cardiopatia. Em doentes crónicos com amiodarona (ex.: FA), preferir outro antimalárico para o tratamento da malária aguda. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Cloroquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação ou vigiar ECG.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca (Cloroquina e Amiodarona prolongam o QT por bloqueio de canais de potássio).
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações, convulsões.
Evitar a associação; se inevitável, ECG e eletrólitos antes e durante, com precaução máxima.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=06c69e2b-211b-4746-9f3a-f86d36520570 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Prolongamento do QT aditivo com risco de arritmias ventriculares.
A hidroxicloroquina bloqueia os canais de potássio (hERG) e prolonga o intervalo QT; associada à amiodarona, o efeito é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta, sobretudo com hipocaliemia, bradicardia, insuficiência renal ou cardiopatia. Em doentes em amiodarona crónica (ex.: FA) que necessitem de hidroxicloroquina (lúpus, artrite reumatoide, malária), recomenda-se preferir alternativa ou vigiar ECG antes e durante o tratamento, corrigindo eletrólitos.
Hidroxicloroquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de arritmias ventriculares. Evitar ou vigiar ECG.
Ambos prolongam a repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações.
Evitar quando possível; se necessário, ECG e eletrólitos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Hidroxicloroquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=34496b43-05a2-45fb-a769-52b12e099341 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Risco acrescido de prolongamento do QT e de arritmias ventriculares.
A mefloquina prolonga o intervalo QT e associa-se a arritmias ventriculares e bloqueios de condução; com a amiodarona o efeito é aditivo. Além disso, ambos têm efeitos sobre a condução AV. Em doentes em amiodarona crónica que necessitem de profilaxia ou tratamento da malária, preferir atovaquona+proguanil ou doxiciclina. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e monitorizar sinais de proarritmia.
Mefloquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de arritmias ventriculares. Evitar a associação.
Prolongamento aditivo da repolarização cardíaca.
ECG (QTc) e eletrólitos.
Palpitações, síncope.
Evitar; se inevitável, monitorizar o ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Mefloquina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=09716a24-d7da-42b2-af29-c03a1b6670bd ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Risco elevado de prolongamento do QT e de torsades de pointes.
A quinina prolonga o intervalo QT e inibe o CYP3A4, a principal via de metabolização da amiodarona, podendo elevar os seus níveis; o efeito no QT é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta de forma marcada. Em doentes em amiodarona crónica, preferir outro antimalárico (atovaquona+proguanil, doxiciclina). Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e reduzir a dose de amiodarona se necessário.
Quinina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT e inibição do CYP3A4 pela quinina (níveis de amiodarona ↑). Evitar a associação.
Efeito aditivo no bloqueio dos canais de potássio cardíacos.
ECG (QTc) e eletrólitos.
Síncope, convulsões, palpitações.
Evitar a associação; se inevitável, monitorização cardíaca rigorosa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Quinina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1f32f05c-a215-40be-b951-e41a7b54a8a0 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A Rifampicina reduz marcadamente os níveis de Amiodarona — risco de recidiva de arritmias.
A rifampicina é um indutor potente do CYP3A4 e da glicoproteína-P e pode reduzir as concentrações de amiodarona (e do seu metabolito ativo) em mais de 50%, com perda do controlo antiarrítmico. O efeito persiste semanas após a suspensão da rifampicina dada a semivida muito longa da amiodarona (até 60 dias). Recomenda-se evitar a associação quando possível; se inevitável, monitorizar o ritmo, considerar o ajuste (frequentemente aumento) da dose de amiodarona e vigiar o ECG.
Rifampicina + amiodarona: a rifampicina induz fortemente o CYP3A4 e pode reduzir os níveis de amiodarona para níveis subterapêuticos. Evitar ou vigiar de perto.
Indução do CYP3A4, principal via de metabolização da Amiodarona.
ECG/ritmo, sinais de recidiva arrítmica.
Palpitações, síncope, taquicardia.
Evitar se possível; se inevitável, vigiar o ritmo e considerar alternativa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Rifampicina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=b389b1a3-672f-47e3-916c-4a9c044b211b ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Associação de Voriconazol e Amiodarona com risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares.
O voriconazol é um inibidor moderado a potente do CYP3A4 e reduz a clearance da amiodarona, podendo aumentar as suas concentrações; ambos os fármacos prolongam o intervalo QT, pelo que o risco de torsades de pointes aumenta de forma aditiva. Deve evitar-se a associação em doentes com FA ou outras arritmias; se for inevitável (aspergilose invasiva em doente com amiodarona), reduzir a dose de amiodarona, vigiar ECG e eletrólitos e monitorizar efeitos adversos durante e após o tratamento antifúngico.
Voriconazol + amiodarona: o voriconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis de amiodarona; ambos prolongam o QT. Evitar a associação.
Efeito aditivo sobre a repolarização cardíaca.
ECG (intervalo QT), eletrólitos, sinais de arritmia.
Síncope, palpitações, torsades de pointes.
Usar com precaução; monitorizar ECG (QT) e eletrólitos (K+, Mg2+).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Voriconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f6a1a792-141b-42e8-8bd1-884e4408eb8a ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A associação de Levofloxacina com Amiodarona aumenta o risco de prolongamento do intervalo QT e de arritmias ventriculares (ex.: torsades de pointes).
A levofloxacina prolonga o intervalo QT (bloqueio do hERG) e a amiodarona também; o efeito é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta, sobretudo em mulheres, idosos, com hipocaliemia, bradicardia ou cardiopatia. Em doentes em amiodarona crónica, preferir um antibiótico sem efeito no QT (ex.: beta-lactâmicos) quando a cobertura for adequada. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Levofloxacina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação ou vigiar ECG.
A Levofloxacina prolonga o intervalo QT no ECG e a Amiodarona é um antiarrítmico da classe III com efeito aditivo; a soma aumenta o risco de arritmias ventriculares graves.
Monitorizar o ECG (intervalo QT), os eletrólitos (potássio/magnésio) e sintomas como palpitações ou síncope.
Síncope, palpitações, QT muito prolongado ou arritmia exigem suspensão e avaliação urgente.
Evitar a associação em doentes com fatores de risco (hipocaliemia, QT longo, bradicardia); se inevitável, monitorizar o ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Levofloxacina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5c6c117c-9d91-48f4-9aaa-ee70b99218c2 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A amiodarona eleva a flecainida e ambas prolongam o intervalo QT.
A flecainida é metabolizada pela CYP2D6; a amiodarona inibe esta enzima e também a CYP2C9 e a glicoproteína-P, podendo aumentar as concentrações de flecainida em 50–100%. Como ambos os fármacos deprimem a condução (alargam o QRS) e a amiodarona prolonga o QT, o risco de proarritmia (taquicardia ventricular, bloqueios) aumenta. Quando a associação é necessária (ex.: FA), recomenda-se reduzir a dose de flecainida para metade, monitorizar ECG (QRS, QT) e os níveis plasmáticos de flecainida se disponíveis.
Flecainida + amiodarona: a amiodarona inibe o CYP2D6 e pode duplicar os níveis de flecainida (risco de proarritmia). Reduzir a dose de flecainida em 50% e vigiar ECG.
A amiodarona inibe o metabolismo da flecainida (CYP2D6/CYP3A4) e adiciona prolongamento do QT classe III.
ECG (QT, QRS), sinais de proarrítmia.
Torsades de pointes, síncope, agravamento de insuficiência cardíaca.
Reduzir a flecainida e monitorizar o ECG; evitar se QT basal longo.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Flecainida: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=74c1eb2a-a37f-4f33-86bf-51e0d1d0c2bc ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Adrenalina + antiarrítmico: risco de arritmias ventriculares.
A amiodarona prolonga o intervalo QT e a repolarização ventricular, e a adrenalina, ao estimular os recetores beta e alfa, aumenta a automaticidade e o consumo de oxigénio do miocárdio. Em conjunto, o risco de taquicardias ventriculares e de extrassistolia aumenta, sobretudo em contexto de emergência (paragem cardiorrespiratória, anafilaxia) ou de cardiopatia isquémica. A hipocaliemia favorece ainda mais as arritmias. Recomenda-se monitorizar o ECG, corrigir eletrólitos (potássio e magnésio) e usar as menores doses eficazes de adrenalina.
Adrenalina + amiodarona: risco aumentado de arritmias ventriculares e taquicardia (a amiodarona prolonga o QT e a adrenalina aumenta a automaticidade). Usar com precaução e vigiar ECG.
A estimulação adrenérgica adiciona-se a fármacos que prolongam a repolarização, aumentando o risco de arritmia.
Eletrocardiograma e tensão arterial.
Palpitações, taquicardia, arritmias ventriculares.
Usar com precaução em doentes com doença cardíaca; monitorizar ritmo cardíaco.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Adrenalina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=5726eeca-db88-ba8e-e063-6294a90a927d ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Amiodarona potencia o efeito anticoagulante da Warfarina, aumentando o INR e o risco hemorrágico.
A amiodarona é um inibidor potente do CYP2C9, a isoenzima que metaboliza o S-warfarin (o enantiómero mais ativo), além de inibir o CYP2C19 e o CYP3A4. O resultado é a subida acentuada do INR, que pode ocorrer logo nos primeiros dias mas continua a evoluir durante semanas porque a amiodarona tem uma semivida muito longa (20–100 dias) e acumula nos tecidos. O rótulo aprovado recomenda reduzir a dose de warfarina em 30–50% quando se inicia a amiodarona e monitorizar o INR de perto; o efeito persiste durante semanas ou meses após suspender a amiodarona, pelo que é preciso reajustar a warfarina nessa fase. Esta associação é frequente em doentes com fibrilhação auricular e exige disciplina no controlo do INR e vigilância de hemorragia.
A amiodarona inibe o CYP2C9 (e o CYP2C19/CYP3A4) e pode mais do que duplicar o INR. Reduzir a dose de warfarina em 30–50% ao iniciar, monitorizar o INR semanalmente e ajustar após suspender a amiodarona (efeito prolongado, semivida de semanas).
Inibe o CYP2C9, principal enzima que metaboliza a Warfarina.
INR semanal nas primeiras semanas após iniciar a Amiodarona.
Sangramento anormal, equimoses espontâneas, hemorragia gengival.
Reduzir a dose de Warfarina em 25–50% e monitorizar o INR com maior frequência.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d ; rótulo aprovado Warfarina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=541c9a70-adaf-4ef3-94ba-ad4e70dfa057
Ambos prolongam o intervalo QT; a associação aumenta o risco de arritmias ventriculares (ex.: torsades de pointes), sobretudo com QT longo, hipocaliemia ou cardiopatia.
A amiodarona e o lumefantrina prolongam ambos o intervalo QT através de bloqueio de canais de potássio (IKr). O efeito aditivo aumenta o risco de torsades de pointes e de morte súbita, sobretudo em doentes com QT basal prolongado, hipocaliemia, bradicardia ou cardiopatia estrutural. Sempre que possível, preferir um antimalárico sem efeito no QT (ex.: atovaquona+proguanil). Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia.
Arteméter+lumefantrina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação ou vigiar ECG de forma apertada.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca: a Lumefantrina bloqueia os canais de potássio (hERG) e a Amiodarona prolonga o QT e é arritmogénica por si só.
ECG com medição do QTc, potássio e magnésio; vigilância reforçada em doentes com fatores de risco.
Síncope, palpitações, tonturas, convulsões.
Evitar sempre que possível. Se inevitável, usar com precaução, corrigir hipocaliemia/hipomagnesemia e monitorizar o ECG.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Arteméter + Lumefantrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=7866ec19-dfac-47d4-a53f-511a12643cbf ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A Amiodarona soma-se ao efeito da Amodiaquina no prolongamento do QT — risco de arritmias ventriculares.
A amodiaquina bloqueia o canal IKr e prolonga o intervalo QT; associada à amiodarona (que também prolonga o QT e inibe o CYP3A4, podendo elevar os níveis da amodiaquina), o risco de arritmias ventriculares, incluindo torsades de pointes, aumenta de forma aditiva. Em doentes em terapêutica crónica com amiodarona, preferir um antimalárico sem efeito no QT. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e corrigir hipocaliemia.
Artesunato+amodiaquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT (amodiaquina). Evitar ou vigiar ECG se inevitável.
Prolongamento aditivo da repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Palpitações, síncope.
Preferir evitar; se inevitável, monitorizar ECG e eletrólitos.
OMS (WHO) — Directrizes da OMS para a malária: https://www.who.int/teams/global-malaria-programme/guidelines-for-malaria ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A Bedaquilina prolonga o QT; a associação com Amiodarona aumenta o risco de arritmias ventriculares.
A bedaquilina prolonga o intervalo QT (bloqueio do hERG) e a amiodarona prolonga-o também; o efeito é aditivo e o risco de torsades de pointes aumenta, sobretudo com hipocaliemia, hipomagnesemia ou em doentes com cardiopatia. A amiodarona inibe ainda o CYP3A4, via pela qual a bedaquilina é metabolizada, podendo elevar os seus níveis e agravar o prolongamento do QT. Recomenda-se evitar a associação em doentes com tuberculose multirresistente sempre que exista alternativa; se inevitável, vigiar ECG (idealmente semanal) e eletrólitos.
Bedaquilina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT com risco de torsades de pointes. Evitar a associação; se inevitável, vigiar ECG semanalmente.
Prolongamento aditivo da repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações.
Evitar; se inevitável, ECG periódico e controle de eletrólitos.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Bedaquilina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=1534c9ae-4948-4cf4-9f66-222a99db6d0e ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Associação de Cetoconazol e Amiodarona com risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares.
A amiodarona é metabolizada pelo CYP3A4 e pela CYP2C8; o cetoconazol é um inibidor potente do CYP3A4 e reduz a clearance da amiodarona, podendo duplicar as suas concentrações. Como ambos também prolongam o intervalo QT, o risco de torsades de pointes e de toxicidade (pulmonar, hepática, tiroideia, neuropatia) aumenta. Deve evitar-se a associação; se for inevitável, reduzir a dose de amiodarona, vigiar ECG e níveis plasmáticos (se disponíveis) e monitorizar efeitos adversos.
Cetoconazol + amiodarona: o cetoconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis de amiodarona, aumentando o risco de QT/arritmias. Evitar a associação.
Efeito aditivo sobre a repolarização cardíaca; o cetoconazol também pode aumentar os níveis de amiodarona por inibição do metabolismo.
ECG (intervalo QT), eletrólitos (K+, Mg2+), sinais de arritmia/palpitações.
Síncope, palpitações, torsades de pointes.
Usar com precaução; monitorizar ECG (intervalo QT) e eletrólitos (K+, Mg2+); corrigir hipocalemia antes de associar.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Cetoconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=f162e616-21b4-49b1-b437-15e21001a6f0 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A Piperaquina prolonga o QT; a associação com Amiodarona aumenta o risco de arritmias ventriculares (ex.: torsades de pointes).
A piperaquina prolonga de forma marcada o intervalo QT (bloqueio do hERG) e tem sido associada a torsades de pointes, sobretudo em combinação com outros fármacos que prolongam o QT como a amiodarona. O risco é maior com QT basal prolongado, hipocaliemia, hipomagnesemia ou cardiopatia. Em doentes em amiodarona crónica, preferir um antimalárico sem efeito no QT. Se a associação for inevitável, vigiar ECG e eletrólitos e evitar outros fatores de risco.
Diidroartemisinina+piperaquina + amiodarona: prolongamento aditivo do QT (piperaquina). Evitar a associação ou vigiar ECG.
Efeito aditivo na repolarização cardíaca.
ECG (QTc), potássio e magnésio.
Síncope, palpitações, convulsões.
Evitar; se inevitável, monitorização cardíaca rigorosa (ECG e eletrólitos).
EMA — EPAR Eurartesim (dihidroartemisinina + piperaquina): https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/eurartesim ; DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A associação de Fenitoína com Amiodarona aumenta as concentrações de Fenitoína e pode provocar sinais de toxicidade.
A interação é bidirecional: a fenitoína induz o CYP3A4 e reduz as concentrações de amiodarona (e do seu metabolito ativo), podendo diminuir o efeito antiarrítmico; por outro lado, a amiodarona inibe a CYP2C9 e a epóxido-hidrolase, podendo duplicar os níveis de fenitoína e causar toxicidade (nistagmo, ataxia, letargia). As alterações surgem ao longo de semanas devido à semivida muito longa da amiodarona. Recomenda-se vigiar os níveis plasmáticos de fenitoína, ajustar a dose e monitorizar a eficácia da amiodarona.
Fenitoína + amiodarona: a fenitoína reduz os níveis de amiodarona (indução do CYP3A4) e a amiodarona eleva os níveis de fenitoína (inibição do CYP2C9). Vigiar ambos.
A Amiodarona inibe o metabolismo da Fenitoína, elevando os seus níveis séricos; a Fenitoína pode, por sua vez, reduzir os níveis de Amiodarona.
Vigiar sinais de toxicidade da Fenitoína: nistagmo, ataxia, diplopia, sedação.
Nistagmo, ataxia ou sintomas de toxicidade da Fenitoína exigem doseamento e ajuste.
Monitorizar as concentrações séricas de Fenitoína e ajustar a dose; vigiar os efeitos cardíacos da Amiodarona.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Fenitoína: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ef4e97a7-cd18-47a9-a016-2eca5481a87e ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — com referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
Associação de Itraconazol e Amiodarona com risco de prolongamento do intervalo QT e arritmias ventriculares.
O itraconazol é um inibidor potente do CYP3A4, a principal via de metabolização da amiodarona; a sua coadministração pode aumentar substancialmente as concentrações de amiodarona. Como ambos prolongam o intervalo QT, o risco de torsades de pointes e de toxicidade da amiodarona (pulmonar, hepática, tiroideia) aumenta. Deve evitar-se a associação; se for inevitável, reduzir a dose de amiodarona, vigiar ECG e monitorizar efeitos adversos durante o tratamento antifúngico e após a sua suspensão.
Itraconazol + amiodarona: o itraconazol inibe o CYP3A4 e pode elevar os níveis de amiodarona, com risco de QT/arritmias. Evitar a associação.
Efeito aditivo sobre a repolarização cardíaca; o itraconazol também pode aumentar os níveis de amiodarona.
ECG (intervalo QT), eletrólitos (K+, Mg2+), sinais de arritmia.
Síncope, palpitações, torsades de pointes.
Usar com precaução; monitorizar ECG (QT) e eletrólitos (K+, Mg2+); corrigir hipocalemia antes de associar.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Itraconazol: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a4d555fa-787c-40fb-bb7d-b0d4f7318fd0 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
Descongestionante simpaticomimético + antiarrítmico: risco de arritmias e efeito pressor.
A pseudoefedrina é um simpaticomimético que aumenta a frequência cardíaca e a automaticidade; em doentes tratados com amiodarona (que prolonga o QT e está associada a cardiopatia subjacente frequente), o risco de taquicardias e extrassistolia ventricular aumenta. Deve evitar-se a pseudoefedrina em doentes com arritmias conhecidas ou cardiopatia isquémica; se for usada, limitar a duração, vigiar sintomas (palpitações, dor torácica) e preferir alternativas não simpaticomiméticas (ex.: corticosteroides nasais, anti-histamínicos) para a congestão nasal.
Pseudoefedrina + amiodarona: o efeito simpaticomimético da pseudoefedrina aumenta o risco de arritmias em doentes com amiodarona. Evitar ou usar com precaução.
A pseudoefedrina (α-agonista) aumenta a tensão arterial e o trabalho cardíaco, com risco de arritmia em doentes predispostos.
Tensão arterial e eletrocardiograma.
Hipertensão, taquicardia, arritmias.
Evitar em doença cardiovascular; se usado, monitorizar TA e ritmo.
DailyMed (FDA) — rótulo aprovado Pseudoefedrina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=78faa497-6743-b85b-e053-2a91aa0ae822 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d — referência adicional: Prontuário Terapêutico do INFARMED (11.ª ed., 2012)
A Rifabutina reduz os níveis de Amiodarona — risco de recidiva de arritmias.
A rifabutina é um indutor do CYP3A4 e reduz as concentrações plasmáticas da amiodarona (e do seu metabolito ativo), podendo comprometer o controlo da arritmia. A interação desenvolve-se ao longo de dias a semanas e persiste após a suspensão da rifabutina (semivida longa da amiodarona). Recomenda-se monitorizar o ritmo e a resposta clínica, considerar o ajuste da dose de amiodarona e vigiar o ECG durante e após o tratamento com rifabutina.
Rifabutina + amiodarona: a rifabutina induz o CYP3A4 e reduz os níveis de amiodarona, podendo diminuir a eficácia antiarrítmica. Vigiar o efeito clínico.
Indução do CYP3A4.
ECG e ritmo.
Palpitações, síncope.
Vigiar o ritmo; considerar alternativa.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Rifabutina: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c2026b67-4755-4236-96b6-a6b5e7399707 ; rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=51a88e8e-da02-4b97-9e7e-442fbffd908d
A amiodarona pode ser tomada com ou sem alimentos; a toma de forma consistente reduz a variabilidade dos níveis.
Tomar sempre da mesma forma (com ou sem alimentos).
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c149392-a4f0-4e2d-a13f-2b94810005de
A toranja inibe o CYP3A4 e pode aumentar as concentrações de amiodarona, elevando o risco de prolongamento do QT e de arritmias.
Evitar sumo de toranja durante o tratamento.
DailyMed/FDA (NIH/NLM) — rótulo aprovado Amiodarona: https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=4c149392-a4f0-4e2d-a13f-2b94810005de
A amiodarona pode causar doença pulmonar intersticial ou fibrose pulmonar, por vezes fatal; está contraindicada em doença pulmonar intersticial ativa.
Não usar; monitorizar tosse e dispneia e realizar radiografia torácica perante qualquer suspeita.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Amiodarona: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8739/smpc
A amiodarona está contraindicada na gravidez: contém iodo e pode causar disfunção tiroideia fetal e outras toxicidades.
Não usar na gravidez; considerar terapêutica antiarrítmica alternativa.
Contraindicada durante o aleitamento, dado o risco de toxicidade tiroideia no lactente.
Mulheres em idade fértil devem utilizar contraceção eficaz durante o tratamento.
EMC-UK (MHRA) — SmPC aprovada Amiodarona: https://www.medicines.org.uk/emc/product/8739/smpc
Ferramenta de apoio clínico e educativo. A informação não substitui a prescrição médica nem o parecer de um profissional de saúde qualificado.
Antiarrítmico com propriedades das classes I, II, III e IV. O efeito antiarrítmico oral demora 2 dias a 3 semanas a estabelecer-se e, devido à meia-vida muito longa, os efeitos e as interações podem persistir durante semanas a meses após a suspensão. O tempo de recorrência da arritmia após a suspensão é variável e imprevisível.
Prolonga a fase 3 do potencial de ação (classe III) por bloqueio dos canais de potássio, com prolongamento do intervalo QT; tem também bloqueio dos canais de sódio (classe I), betabloqueio não competitivo (classe II) e bloqueio dos canais de cálcio (classe IV). Produz vasodilatação coronária e periférica e reduz a frequência cardíaca.
Após administração oral, o pico plasmático ocorre em 3 a 7 horas. Os alimentos aumentam a taxa e a extensão da absorção: a AUC e a Cmax aumentam cerca de 2,3 e 3,8 vezes, respetivamente, quando tomado com uma refeição rica em gordura. A biodisponibilidade oral é incompleta e variável.
Metabolizado no fígado, sobretudo pelo CYP3A4 e CYP2C8, com formação do metabolito ativo desetilamiodarona. A eliminação é muito lenta, com acumulação extensa nos tecidos (gordura, fígado, pulmão).
A meia-vida da amiodarona é de 15 a 142 dias e a do metabolito ativo desetilamiodarona de 14 a 75 dias, o que explica a persistência dos efeitos e das interações durante semanas após a suspensão.
Medicamentos do mesmo grupo terapêutico (classificação ATC) ou da mesma classe farmacológica.